E agora? Acabadas as festas, virado o ano, temos por diante uma tarefa de dificuldade impar. Não somos responsáveis pela crise, mas com ela vamos conviver e a ela temos que sobreviver. E temos duas tarefas essenciais: garantir maior autonomia e gerir económica e financeiramente com frieza, rigor e acerto. As únicas actuais receitas públicas significativas são os impostos. Portugal tem o mesmo modelo fiscal para três economias distintas: Continente, Madeira e Açores. Não é admissível que tal se verifique. A Madeira tem fortes potencialidades, especialmente no turismo e no centro internacional de negócios, pelo que não pode ter fiscalidade semelhante à das economias primárias e secundárias dos Açores e do Continente. Só a autonomia fiscal nos pode salvar. Por outro lado, é preciso pôr de lado o desnecessário e, por isso, dispensável. Há que dar atenção exclusiva às pessoas, famílias e empresas. Na ordem inversa mais correctamente ficará ordenado. Só as empresas criarão novos postos de trabalho para a nova e mais bem formada geração. Mas, sobretudo, falta um grande objectivo, uma enorme tarefa que nos una e mobilize a todos, como a autonomia nos anos 70, a União Europeia na década de 80, o aeroporto e a consequente internacionalização (novos hotéis e zona franca) nos anos 90. Como na década que terminou, a próxima não pode ser só sobreviver à crise. Mudando de assunto, não resisto a comentar uma frase do deputado comunista Leonel Nunes: "Espero que não seja como o Presidente do Governo Regional. O Marítimo precisa agora de sangue novo apesar do bom trabalho feito por ele (Carlos Pereira). Saem os que fazem "bom trabalho" e ficam os que, como ele, não fazem nem propõem nada de jeito ou realista. Tenho para mim, que o discurso dos deputados comunistas, que nada tem de alternância de poder, é feito apenas para manter o lugar aos dois.
Miguel de Sousa - Deputado