Estamos a chegar ao final de mais um ano, onde a crise financeira, económica e social continua no centro do debate. As difíceis medidas, mas imprescindíveis, promovidas pelo Governo da República dada a exigência internacional, têm provocado um descontentamento generalizado nos cidadãos. Com um prolongado e tortuoso diálogo, lá se conseguiu chegar a acordo, para que o Orçamento de Estado fosse aprovado e encontrasse soluções para assegurar o futuro. Aqui, sem diálogo e com o ruído habitual, foram negligenciadas as mais de cem propostas da oposição, o que nos demonstra que, mesmo sem debate, estava, à partida, garantido. A Assembleia Legislativa da Madeira é um faz de conta. Institucionalmente tem que existir, mas a falta de debate sério e transparente faz com que tudo já lá chegue previamente decidido. Ou seja, antes de ser já o era! A alternância de governação que tem existido no Continente não se tem verificado na Região. Vamos a caminho dos 40 anos, sempre com o mesmo poder. A decisão do Presidente do Governo Regional de continuar à frente dos destinos da Madeira, para regozijo dos poderes instalados e descontentamento de tantos outros, faz prever que vamos ter mais do mesmo. Falta de estratégia e desenvolvimento sustentável. Quando não há soluções é sempre o inimigo externo o culpado de tamanho descalabro. Ou não terão sido as opções erradas que ao longo de tantos anos têm sido tomadas. Onde estão as respostas sociais incapazes de combater a pobreza que já ascende a mais de 20%; o que fazer com os mais de 15 mil desempregados; quem vai pagar as responsabilidades financeiras de 6 mil milhões de euros, a dívida às farmácias, às pequenas e médias empresas, o buraco das sociedades de desenvolvimento; a teimosia da marina do Lugar de Baixo sistematicamente fustigada, o aterro e as suas consequências desastrosas. Cidadãos, é tempo de abrirem os olhos!
Isabel Sena Lino - Professora