
Os fazendeiros brasileiros, verdadeiros senhores feudais que mandaram numa terra sem lei, durante séculos, tinham pequenos exércitos de homens armados, descritos por Jorge Amado como assassinos capazes de tudo, a mando do patrão. Os jagunços ficaram famosos nas telenovelas brasileiras, no tempo em que ainda valia a pena vê-las. Simbolizavam a expressão mais violenta do poder totalitário e da opressão, sobretudo em relação aos que ousavam enfrentar o chefe todo poderoso da aldeia. Normalmente acabavam mortos a tiro, mas isso era nas novelas.
Quero acreditar, sinceramente, que a agressão de que foi vítima o deputado Carlos Pereira, na 'Noite do Mercado', foi o resultado da acção de um maluco qualquer, de alguém que tomou uns copos a mais e perdeu a cabeça, de um simples palerma sem nada dentro da cabeça. Tenho medo de pensar o contrário, que foi uma agressão motivada por ódios políticos, instigados por terceiros ou, pior e mais preocupante, que foi algo orquestrado e bem preparado. Se não foi obra de um louco, se, como diz o agredido, o indíviduo estava sóbrio e consciente, a situação assume contornos graves, mesmo muito graves.
Nos últimos tempos temos assistido a barbaridades proferidas pelos mais altos responsáveis políticos desta terra que não têm qualquer pudor em chamar traidores, vendidos e criminosos a todos os que, por uma ou outra razão, se opõem à sua sabedoria bíblica e às suas verdades incontestáveis.
Repito, não quero acreditar que esta agressão foi mais do que o efeito de uma bebedeira, porque não sendo assim, estaríamos perante um acção de jagunços, a mando de um qualquer coronel fascista.
As massas são insanas, quase animalescas e os mais altos responsáveis políticos deveriam saber que tudo o que dizem e fazem tem efeitos em cabeças que se recusam a pensar. O lado bom desse seguidismo é o dos votos, mas o reverso, a loucura e a irresponsabilidade, tem efeitos mais nefastos.