Cada vez mais me convenço que o problema mais grave deste PS-Madeira reside na sua condição geográfica. Estivessem no Algarve, em Trás-os-Montes ou mesmo aqui ao lado nos Açores (sem desejar qualquer mal a nenhuma destas regiões) e, pelo menos, algumas das suas posições já não seriam tão incoerentes. Vejamos, então, alguns casos mais sintomáticos desta fobia: - Em 2006, o Governo da República fez aprovar uma nova Lei de Finanças Regionais que, só em 3 anos, causou um prejuízo à Madeira de cerca 163 milhões de euros. O que fez o PS-M, com Jacinto Serrão como líder e deputado à Assembleia da República? Votou a favor. - Este ano, o Governo de Sócrates interrompeu de forma unilateral as conversações com a Comissão Europeia, para a negociação dos "plafonds" do Centro Internacional de Negócios. Com esta atitude, faz com que a nossa economia perca competitividade e capacidade de atrair investimento estrangeiro, coloca em risco mais de 3000 postos de trabalho e provoca a perda de receita fiscal na ordem dos 60 milhões de euros/ano. Os socialistas locais repudiaram este acto? Não. Antes insurgiram-se contra o Governo Regional, que nem pode negociar directamente com Bruxelas… - No mês passado, PS e PSD concordaram em flexibilizar a Lei de Meios. Com esta medida permitiu-se, tão só, fazer um reajustamento dos gastos que a Madeira teve de suportar antes da vigência desta Lei - e previamente à chegada dos montantes nela previstos - às necessidades da reconstrução. O PS-M está a favor? Não, está contra. Parece-me, assim, que o maior problema deste PS está na sigla "Madeira". Não fosse este pormenor e ninguém estranharia tamanha aversão.
Luís Nuno Olim - Jurista