Talvez não devesse escrever este texto, pela solenidade do Dia, mas o sentimento a ele me conduz. Às vezes, torna-se importante um contraponto que conduza à reflexão no sentido de uma melhor sociedade, menos intolerante, mais humanista e transparente nos seus actos. Isto a propósito dos protocolares cumprimentos de Feliz Natal, que não passa disso mesmo, de uma rotineira encenação, para a imagem e para as palavras de circunstância. Infelizmente, neles descubro não os valores da sinceridade e da amizade, mas a hipocrisia em estado puro. Simplesmente, porque é inaceitável, hoje, ser uma qualquer coisa peçonhenta e, amanhã, andar a bater no peito, ao jeito de ofende-se e insulta-se agora e, logo depois, aí vão os cumprimentos de Feliz Natal. Esta quadra encerra uma carga de alegria e de projecto que não deveria ser utilizada a pataco. É hipocrisia entrar pelos caminhos da violência verbal, do achincalhamento, algumas vezes com o que há de mais reles, porque toca na vida pessoal das pessoas e, dias depois, desejar Bom Natal e Feliz Ano Novo a este ou àquele. Sou muito sensível a jogos e sentimentos desleais e viciados. Pobres os Homens que assim se comportam, nessa política do vale tudo, sem ética e sem moral. O Natal não é isso. O Natal pode ser sinal de libertação, de respeito pela Mensagem de Amor e de Tolerância, jamais de ofensa, de aviltamento e de faz-de-conta. De que vale cantarem tantos louvores a Jesus, se, durante outros trezentos e tal dias, se esquecem das palavras cantadas?

André Escórcio, Líder parlamentar do PS-M