"É hora de nos maçarmos e fazer qualquer coisa de útil por nós e pelos nossos descendentes." A principal razão pela qual este país agoniza tem a ver com o espírito acomodatício que atravessa a sociedade portuguesa. Somos um país de acomodados, conformados, o país do "mais ou menos" e do "vai-se andando". Somos incapazes de admitir os factos tal como eles são: bons ou maus; adversos ou oportunos. Ficamo-nos sempre pela metade do percurso, "pelas meias tintas". Por isso ou chegamos tarde demais para resolver um problema ou nem chegamos a gozar e aproveitar um sucesso. Esta tendência agudizou-se com o Estado Novo e atingiu o seu clímax com este modelo de desenvolvimento surgido do 25 de Abril. A tão esperada revolução não trouxe dinâmica, nem espevitou a nossa essência. Antes pariu uma realidade medíocre na qual o objectivo primordial das pessoas não é atingir o máximo possível mas sim o mínimo aceitável. Não se pretende um país mais rico, apenas remediado; não se quer trabalho de qualidade, somente emprego para a vida toda; não se deseja uma saúde e uma educação de excelência, o que interessa é que seja de borla; não se procura que as empresas sejam competitivas, unicamente que se tornem seguranças sociais em miniatura focadas no consolo e ocupação da populaça. Esta queda para a mediania, diria mesmo para a mediocridade, impossibilita qualquer tentativa de, enquanto povo, rasgo colectivo que nos permita sair do marasmo em que, lentamente, nos fomos colocando. Enquanto não mudarmos esta forma de pensar seremos sempre um "PIGS" que fornece o mundo de paletes de fado e de saudade.
Carlos Rodrigues, Administrador