Hoje é dia de Natal. Que tem este dia de diferente dos outros? Que tem este dia que todos os restantes do ano não têm? Harmonia, paz, fraternidade, união entre os homens? Não devia ser sempre assim todo o ano? Ou são apenas tretas que, com alguma hipocrisia, se esmeram neste dia e nesta quadra festiva. E depois, o que resta? Provavelmente pouco! Por isso mesmo, talvez, e imbuído neste espírito natalício, sonhei que, ao acordar neste dia de Natal, estaria num mundo novo, em que, de facto, persistisse a oportunidade para todos, a cumplicidade humana, o direito a não ter fome e o direito a uma vida digna, o direito à educação e à saúde. Tal como cantou John Lennon, acordei com a imaginação num mundo melhor. E os meus sonhos até foram mais abrangentes, ou, se quisermos, mais particularizados numa Madeira sem os problemas que a assolam, no sentir de um ambiente desportivo na região mais saudável, sobretudo, mais higiénico, na satisfação de um Marítimo e de um Nacional grandes na Liga portuguesa de futebol profissional, e, sobretudo, com um futuro sem tanta dependência do poder político, no apalpar de um Estádio moderno e imponente, mesmo com os obstáculos que permanentemente lhe são colocados no caminho para a modernidade, na humildade de quem reconhece os seus erros ou na tolerância de quem é grande em todos os momentos, nos bons e nos maus. Mesmo para aqueles que cresceram sem princípios. A verdade é que acordei em mais um dia, por acaso, num dia de Natal. Sem que à minha volta algo tivesse mudado. A não ser a bondade de um dia em família, para quem a tem, a abundância na gastronomia, para quem pode, na felicidade nos olhos das crianças, para quem pode oferecer essa mesma felicidade. De resto, e passado este simbólico dia, quiçá, de barriga cheia, nem o Pai Natal nos salva de um ano que aí está para nascer, nada optimista, mesmo nada promissor. E em que, particularmente no que concerne ao desporto, pois é de desporto que este espaço trata, se perspectivam dias difíceis para todos os envolvidos. Mas também quem é que ainda acredita no Pai Natal? Seja como for, aos meus amigos e a quantos vão ter a pachorra de ler esta crónica, ficam aqui expressos os desejos de um feliz Natal e um 2011 o melhor possível.
Emanuel Rosa, Repórter desportivo