A propósito de uma entrevista concedida pelo Prof. Nogueira Leite (D.N. de 23/11/2010), em que afirma que todos nós vamos ter que empobrecer obrigatoriamente, fica-nos uma sensação de desalento e de preocupação para o futuro. Naturalmente que as medidas que serão aplicadas em 2011, além de outras anteriormente adoptadas, afectam os rendimentos dos cidadãos e consequentemente o nível de vida. É muito complicado encarar toda esta situação, esperando que, ao menos, haja bom senso e equidade em todo o processo de "emagrecimento" que se segue.

Temos dois desafios que são indissociáveis, o défice das contas públicas, quiçá mais facilmente "tratável" e a competitividade do país. É este último o mais importante, que exige todo um conjunto de acções, que passam pelas reformas estruturais que são imperiosas, até ao desenvolvimento de actividades produtivas capazes de inverter a nossa dependência do exterior e criar riqueza e condições favoráveis ao emprego.

Vejo por aí muitas receitas generalistas, mas muito pouca "coisa" concreta, sendo esta fase decisiva para que seja assegurada uma dinâmica económica consistente.

De imediato o que nos resta, é "pôr" o défice das Contas Públicas abaixo dos 3% e "aguentar", o que na situação actual, passa por uma retracção forçada do nível de vida dos portugueses. Ou seja, vamos empobrecer e estagnar, ficando a retoma, em grande parte, na capacidade que tenhamos de enriquecer. É tão óbvio, mas ao mesmo tempo tão doloroso enfrentar uma realidade que ignorámos através da ilusão. Só que esta esfumou-se. Definitivamente.

Sílvio Costa, Gestor