Não querendo tirar proveito da desgraça alheia é, no entanto, preciso reflectir sobre o que nos tem acontecido este ano e encontrar respostas e responsáveis em vez de apenas rezarmos para que este ano passe depressa como disse, no passado verão, "o único importante" da Madeira.

Se o Governo não controla o tempo - embora quisesse - detém responsabilidades inequívocas no que concerne aos instrumentos de gestão territorial, nalguns casos cumulativamente com as câmaras, os quais ou estão desactualizados, suspensos ou simplesmente não existem para que os "patos bravos" continuem a fazer o que querem. Ninguém é responsável por coisa nenhuma, o tempo é o culpado de tudo. Não se conhece, até hoje, nenhuma demissão no Governo na sequência das sucessivas calamidades.

Às opiniões avalizadas dos técnicos, contrapõe o GR com argumentos esotéricos que dão que pensar pela sua perspectiva primária. Ninguém percebe nada de nada só o Governo sabe tudo de tudo. Os erros sucedem-se e as consequências repetem-se como o que se verificou na madrugada de segunda-feira. A verdade é que o povo vive num permanente sobressalto e basta um orvalhinho para logo vir à memória o 20 de Fevereiro. As ribeiras continuam a arrastar quantidades inacreditáveis de inertes, o aterro na baía do Funchal vai crescendo e o porto está cada vez mais assoreado.

De que é que estamos à espera? De uma cidade descaracterizada, da ruína do comércio tradicional (há comerciantes que, este ano, já reconstruíram três vezes os seus estabelecimentos) ou de um paquete encalhado. Nesta época de festa acreditemos que o ano que vem vai ser melhor, mas é preciso fazer por isso.

Bom Natal

Jaime Leandro, Téc. Sup. Tribunal de Contas