Nunca consegui tocar direito a malfadada "Noite Feliz" numa flauta. Sabia a primeira parte da composição mas quando tentava "interpretar" a segunda saíam apitos a torto e a direito (mais a torto) que arrepiavam quem ouvia e mesmo quem não ouvia bem, como a irmã Benilde, professora de música que cedo matou a minha ambição de criar uma banda e com ela conquistar o mundo e a miúda do quarto andar do último prédio da minha rua.

Mas se soubesse o que sei hoje não tinha desistido assim do sonho. Tinha comprado dois pratos e feito a conversão para DJ. Arranjava um nome cool, do género DJ Faster, comprava uns headphones que me tapassem as orelhas e partia à conquista do Olimpo, sem guitarra mas com um belo Mac, branco e tudo, carregado com músicas dos outros.

Na Madeira, nesta terra de grande cultura, de gente que sabe e que quer saber mais, eu seria um enorme sucesso, lol! Faria festas no Mercado, "tocaria" com a DJ Topless (faria sempre a segunda parte)e veria o meu nome escarrapachado em cartazes por essa ilha fora, da Ilha à Ponta do Pargo!

Seria uma verdadeira estrela dos pratos. Uma quase rock star que cantaria, quando ninguém estivesse a ouvir para não correr o risco de ferir tímpanos, aquela coisa meia pirosa dos Nickleback

I want a new tour bus full of old guitars

My own star on Hollywood Boulevard

Somewhere between Cher and

James Dean is fine for me

Ah, e sairia todas as semanas nas notícias da cultura. Porque DJing também é cultura, ora essa! Mesmo quando alinhado entre uma exposição no Museu de Arte Sacra e de uma actuação de José Luís Mendonça na Festa do Pêro Vermelho, lol!

Irmã Benilde, se eu soubesse o que sei hoje não me importava que arrancasse metade das lâminas do xilofone. Eu seria DJ!

Gonçalo Santos, Gestor de projectos