No último mês em que recebemos o ordenado por inteiro, temos conhecimento de que o BPN levou mais do Estado do que o orçamento regional. Depois de tantos se terem servido das economias de muito boa gente e estarem hoje a gozar frutos em alguma dessas ilhas exóticas que se espalham pelo Mundo, o Madoff ganhou estadia de 150 anos e passou um voucher ao único preso do caso português. É engraçado como quase tudo pode acontecer na América dos sonhos dos nossos avós, desde o ladrão processar o dono da casa que assalta até ao atribuir de uma pena que todos sabem não será cumprida, a menos que o esqueleto fique atrás das grades. Aqui, o menino amigo do alheio parte braços e esfaqueia idosos, é reconhecido pelas vítimas perante a polícia ainda com o fruto (relógio) do roubo violento ainda no pulso e, pasme-se, anda em liberdade porque não foi apanhado em flagrante! O que será o flagrante para a lei?! Os pontos que cicatrizam as facadas, as nódoas negras das agressões, a exibição clara dos objectos roubados, o reconhecimento efectuado pelas vítimas ou só o será quando forem vistos a verificarem a ausência de batimentos cardíacos das vítimas da sua violência? O que será preciso para um juiz meter gente desta na cadeia, sem pensar em despesas para o Estado nem na indulgência destes criminosos? Num país que está mais preocupado com o bacalhau na Noite de Natal ou com o almoço de carne de vinho e alhos do dia de Festa, os "perus" vão-se safando da véspera fatal. Há um PR que fala mais de pobreza, mas não é solidário na prática. Há um PM que nega ajuda do FMI porque sabe que esses cortam também nos políticos e nos amigos deles, mas está pronto a dar mais uns furos nos cintos dos portugueses. Há ministros que propagandeiam a austeridade, mas recebem subsídios de residência no valor de dois ordenados mínimos. Há reformados vitalícios dourados que ainda recebem ordenados de "platina" e ainda gozam com o povo trabalhador a dizer que em 2011 vão comprar só com os olhos. Há presidentes eternos que contam apenas com a barreira da esperança de vida para lhes tirar a cadeira. Há uma cambada de "agachados" que fala só em surdina e longe do pomar, na certeza de que o hospital psiquiátrico pedido terá uns quartos particulares nominais e onde serão tratados por médicos que não fazem greve. E há também uns sindicalistas que na hora da luta nem falta tiveram em dia de paralisação geral. Se num lado brincam à batalha naval com submarinos corruptos e blindados de saldos, no outro afundam marinas "berbicacho", derrubam muralhas recém-nascidas e fecham empresas por calotes, ao sabor de ameaças e processos judiciais pagos pelo contribuinte. Já era tempo de termos governantes de verdade, os madeirenses merecem que esta gente, que perdura há mais de 30 anos, se afaste e dê lugar a outros jovens e outras políticas, sejam eles de que partidos forem. A Autonomia não deve servir só para justificar críticas e aplicar o que de mau produz o Estado, nem para garantir estatutos de "compatibilidades" e privilégios para a classe política. Se metade não vota, será que ainda não perceberam a mensagem? Boas Festas!
Paulo Gomes