No outro dia, ao consultar ao site da CGA (Caixa Geral de Aposentações), lembrei-me dos meus colegas da Escola Primária que me diziam que era preferível fazer anos em Outubro! A razão era evidente: nesse mês os colegas podiam ir às festas de aniversário o que dificilmente acontecia a aniversariantes do mês Agosto. Não lhes dei razão porque sou de uma grande família e os amigos do tempo de férias compensavam a falta dos colegas de escola.
Passados quase 50 anos acabo por lhes dar razão, pois ao introduzir os meus dados no simulador da CGA, a resposta foi que eu me podia aposentar em Agosto de 2020, ou seja quando tiver 65 anos. No entanto, o mesmo simulador informou-me que se eu tivesse nascido em Outubro, se fosse dois meses mais novo, e tivesse começado a trabalhar no mesmo dia (tendo a mesma carreira contributiva) poder-me-ia reformar de imediato com a pensão de 2 130,50 €. A grande diferença entre mim e alguém que nasceu em Outubro é que eu tinha 24 anos e 10 meses de serviço quando fiz 55 anos e ele já tinha 30 anos de serviço. Assim por dois meses ele é livre de se reformar enquanto eu estou "condenado" a mais 10 anos de trabalho.
Como sou um optimista e tento sempre ver o lado positivo das situações aproveitei o simulador para ver qual era a pensão se o nascido em Outubro tivesse 65 anos com a mesma carreira contributiva que tenho hoje e se tivesse mais dez anos de carreira contributiva. As pensões seriam de 3 804,47 € e de 5 423,35 € respectivamente. Bem, parece que não sou livre para me reformar, mas vou ter uma "grande reforma" em compensação. No entanto, uma dúvida surgiu no meu espírito: se o PIB vai crescer tão pouco nos próximos anos como é a minha fatia no bolo pode ser tão maior do que a do nascido em Outubro de 1955 irá ter hoje?
Fui ao gabinete de um colega que tem defendido que as pessoas não devem se reformar cedo e apresentei a minha dúvida. Ele respondeu-me: "E tu acreditas que vais ter uma reforma da ordem de grandeza dos que se reformam hoje com 65 anos?" fê-lo exactamente com o mesmo ar que os meus colegas de Primária me perguntavam: "Ainda acreditas no Pai Natal?"…
Desejo a todos um Feliz Natal e um 2011 mais justo e mais solidário e sem surpresas desagradáveis.
Pedro Telhado Pereira, Prof. Catedrático da UMa