Antes do 25 de Abril, os Sindicatos tinham sido, quase todos, capturados pelo regime fascista. Basta dizer que as direcções eleitas pelos associados tinham de ser homologadas pela tutela. No Distrito do Funchal, as delegações dos sindicatos tinham o mesmo tratamento, até porque tudo era decidido em Lisboa.
Com as Autonomias, muitas das competências do Governo central foram sendo transferidas para os Órgãos de Governo Próprio. A aprendizagem da Democracia foi um processo lento e ainda hoje prossegue, numa sociedade habituada a 50 anos de ditadura. O mesmo se diga da Autonomia. Verifica-se que muitas organizações ainda se comportam como se tudo fosse decidido em Lisboa.
Ainda recentemente, a propósito das medidas de austeridade, assistiu-se a uma ampla e legítima discussão das medidas a nível nacional, com repercussão óbvia, a nível regional. O Orçamento de Estado (OE) foi alvo de contestação das organizações sindicais, com manifestações laborais também na Madeira. A sua legitimidade não está em causa.
O PS-M, logo no dia seguinte àquele em que foram anunciadas as medidas em Lisboa, alertou, em conferência de imprensa, para o facto de aquelas medidas só serem aqui aplicadas se o Governo Regional do PSD assim decidisse. Muitos questionaram a atitude do PS-M, mas, felizmente, o Governo Regional dos Açores veio dar-nos razão, ao não aplicar, na íntegra, as medidas de austeridade, nomeadamente o corte de salários, como também ao criar medidas compensatórias para as pensões e os abonos de família e para os idosos, além doutras medidas sociais. E trata-se de um Governo do mesmo Partido que o do Governo da República.
Por isso, tenho de ser muito claro: gostaria de ver os sindicatos envolvidos com o mesmo empenho e a mesma determinação em relação ao Orçamento Regional como vi em relação ao OE.
Jacinto Serrão, Presidente do PS-Madeira