Quando a Dona Branca abriu falência, porque todos os clientes foram bater à porta, aterrorizados pelos rumores de que não tinha dinheiro para pagar os 10% mensais que recebiam sem questionar, o Estado não saiu em sua defesa. Não criou fundos especiais de protecção de contas, nem disponibilizou meios financeiros para evitar o naufrágio. Pelo contrário, meteu a senhora na cadeia e fim de conversa. Quem perdeu, perdeu.

Os clientes ganhavam muito acima do que a banca oferecia e nem queriam saber como eram obtidos lucros que permitiam duplicar o investimento em poucos meses. Depois, quando estoirou, choraram a perda do capital investido.

Passadas mais de duas décadas sobre o colapso do ‘banco’ da D. Branca, alguns bancos a sério entraram em colapso. Também nestes casos, os juros pagos eram acima da média, as benesses oferecidas muito atractivas e ninguém queria saber de onde vinham os lucros. Só acordaram quando rebentou, com grande estrondo e ameaçou pulverizar poupanças e investimentos avultados.

Desta vez o Estado foi mais simpático e veio em auxílio das D. Brancas do BPN e do BPP, injectou milhões, muitos milhões e parece que vai meter ainda mais. As últimas notícias apontam para mais uma despesa de 500 milhões para evitar a falência.

Perante a enormidade das falcatruas noticiadas, meteram alguns na cadeia, mas a dureza da justiça não deverá ser tanta como a que se abateu sobre a senhora de cabelos brancos que pagava 10% ao mês. Os condenados deverão ser os de sempre: os contribuintes que nem podem protestar.