Terminou ontem no Funchal o XXXVI Congresso Nacional da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo. Durante quatro dias a Madeira foi o centro do debate turístico, do bom e do mau que se faz nessa actividade, que reúne e sustenta muitos milhares de portugueses e que é responsável por uma boa parte das receitas que o País arrecada no segmento das exportações. Bernardo Trindade esteve na Madeira, para honrar a presença do Governo da República junto dos profissionais que são maioritariamente os agentes dessa cobrança, e para dizer que este ano já arrecadámos mais 44 milhões do que no ano passado. O número deixou muita gente espantada num ano em que se proclama a crise por todo o lado. Alguns responsáveis pela APAVT desconfiam da subida, mas isso é questão para depois se confirmar. Dizem que as fontes do secretário de Estado não devem ser as mesmas que lhes indicam que a liquidação das agências e dos hotéis baixaram. No final do ano veremos, certamente, quem tem razão… Na Madeira falou-se de turismo. Abordaram-se, sem complexos ou constrangimentos, questões importantes. Ouviram-se especialistas que trouxeram a sua experiência, que apresentaram sugestões e que, de uma forma, por vezes, sublimar, disseram que é preciso fazer bem, ter boas práticas, e ver como se faz noutros países, onde a crise já está a ficar para trás. Não por que não haja bons exemplos em Portugal, mas ver o que os outros fazem melhor, e adaptar às nossas realidades, só pode ser um acto inteligente. O Congresso da APAVT, que muitas vezes tem sido realizado fora de Portugal, é o único fórum nacional de turismo, que se faz todos os anos, e com a presença de especialistas de renome e com um agendamento que ultrapassa as próprias agências de viagens. Tem sido sempre assim, e a associação nacional está de parabéns, porque nesse aspecto tem sabido organizar o debate, ser incómoda e ser colaborante nas abordagens dos temas que deveriam ser discutidos por um grande congresso que abarcasse todas as associações do sector, sem preocupações de maior protagonismo. Mas, pelos vistos, à falta de outras iniciativas, a APAVT vai continuar a organizar o maior congresso nacional da actividade turística. E tem feito bem. Falou-se muito da Madeira. Numa perspectiva de recuperação, é verdade, porque os factos recentes deixaram marcas, mas também num debate que pretendeu esclarecer, ora focando os bons exemplos da primeira terra portuguesa virada para o turismo, ora focando alguma moleza que se assiste da parte dos parceiros em tomar essa atitude de liderança que tarda em surgir. E é neste particular que quero deixar o meu reparo. Digo que é recorrente, nestes últimos anos. Falta ao ‘trade’ madeirense participação, falta debate, falta vontade de estar presente quando se debatem assuntos complicados ou menos agradáveis. Alguns, e não são poucos, esquecem que a vida (entenda-se a carreira profissional), sobretudo a empresarial, se faz agora de experiências, de intercâmbio de projectos e o sucesso constrói-se também pela maior abertura que se tiver face às propostas que transformam e potenciam o conhecimento, a informação e as novas formas de estar no negócio. A beleza das paisagens madeirenses não mudaram, mas os paradigmas de serviço e a reacção dos mercados mudaram e exigem uma actualização permanente. Os que ficaram em casa, ou que se desculparam com o expediente diário nestes dias de congresso, devem procurar saber do que se falou e debateu no maior congresso do turismo nacional, em boa hora realizado na Madeira. É preciso tomar decisões. E essas são, necessariamente, da responsabilidade de quem lidera.