Confesso que fico estupefacto com certas reacções às transferências do Orçamento de Estado para a Madeira em 2011.

Numa análise breve ao documento, e quem estiver interessado em fazê-lo de uma forma intelectualmente honesta, sem a habitual visão político-partidária, constata-se facilmente que estamos perante um orçamento solidário.

Consideremos os seguintes aspectos:

1-A Lei de Meios, lei aprovada para fazer face aos prejuízos do dia 20 de Fevereiro, é respeitada integralmente. Não houve cortes. Não era essa a grande preocupação dos partidos da oposição e dos senhores deputados na Assembleia da República? Mas na hora seguinte à apresentação em São Bento, numa total falta de ética, rigor e isenção, desataram a desventrar/descafeinar o documento numa tentativa de iludir/enganar a população, até aqueles que já receberam ajudas.

2-A Madeira recebe em 2011 mais 46 milhões de euros que em 2010, numa conjuntura económico-financeira, como sabemos, extremamente difícil para Portugal.

3- O radar do Pico do Areeiro, reivindicado pelo PS e pelos restantes partidos, será construído no próximo ano. Como diz o tão ouvido e respeitado , Marcelo Rebelo de sousa, em latitudes atlânticas "Alberto João Jardim é pobre e mal agracedido". E ele é uma personalidade insuspeita como sabemos??? Mas o que me preocupa não é aquilo que pensa o presidente do governo, ao ritmo tgv, mas sim pessoas com responsabilidades políticas, e pelas quais tenho respeito, que são incapazes de pensar pela sua própria cabeça, abdicando de activar um exercício magnifico que é pôr a funcionar determinadas faculdades que possuímos junto ao cerebelo.

O que está mal e com o qual discordo é a possibilidade de a Madeira utilizar verbas da Lei de Meios para outros fins que não os acordados entre os dois governos, por isso estarei particularmente atento aos desvios que venham a ser feitos. Não admito que a solidariedade da República sirva para construir buracos em campos de golfe, em vez de ajudar os mais necessitados, como por exemplo na Serra de àgua,São Vicente ou no Funchal (Laranjal ou Três Paus),onde existem populações que foram totalmente ignoradas depois da tragédia. Ignoradass im. Totalmente ignoradas porque "essa gente" está mais interessada em inaugurar obras de fachada em 2011 do que acudir a quem mais precisa, os mais pobres, indefesos e sem influência junto do circ(o)ulo da governação.

Luís Miguel França, Deputado do PS em S. Bento