Francisco Duarte Os Estados civilizados actuais desenvolveram mecanismos de controlo da actividade das suas administrações, mas permanece de fora o controlo da actividade política. Esta actividade constitui, assim, o paraíso "fora de lei", onde se movem aqueles que podem decidir entre construir uma estrada ou um hospital ou entre o betão e a formação. Com o apogeu do Estado social e os recursos abundantes, os políticos de carreira, sem experiência, visão e formação, sempre saídos das escolas dos partidos, aplicaram o dinheiro do povo no acessório, no consumo imediato, na obra de encher o olho. Agora, quais cigarras da fábula de Lafontaine, estão perdidos perante um cenário desolador. O passo seguinte a que os Estados terão que deitar mão é criar mecanismos de responsabilizar criminal e civilmente os políticos que façam aplicação de recursos financeiros do povo em investimentos que não obtenham retorno social e financeiro. O poder de gastar será controlado e a actividade política será exercida por aqueles que tenham provas dadas na sua actividade privada, que tendo já pago impostos, sabem a cor do dinheiro e do trabalho necessário para o alcançar, e não por curiosos ou por aqueles que, sendo funcionários públicos, ou com essa mentalidade, se abeiram do poder e por aí se mantenham, ou rastejam, sem mais ambições, de forma confortável, à espera que chegue rapidamente o fim do mês.