15.737. É este o número total de desempregados no mês de Novembro. As notícias e a estatística garantem que os números se referem à Madeira, mas, a acreditar no que vimos e ouvimos no debate do Orçamento e Plano, por cá nada disto existe. Não fossem os personagens em questão, e até se poderia jurar que estavam a discutir o orçamento do continente ou dos Açores, tanta foi a insistência na realidade de além do nosso mar, onde cada vez mergulhamos mais profundamente. Mas é claro que quem contraria a verdade vigente é comuna ou pior do que isso. O importante mesmo é que a Madeira tem uma assembleia renovada, uma casa da Autonomia e da Democracia, mesmo que esta última seja pouco respeitada e se faça de uma estranha anormalidade institucionalizada. Aqui, quem manda pode. Os outros, só têm mesmo de estar calados e se falam correm os riscos inerentes a essa ousadia, porque a autonomia tem dono e a democracia é figura de estilo e retórica para enfeitar discursos. Daí que seja sacrilégio questionar opções, debater ideias ou tecer críticas. O melhor mesmo é assistir calado ao desmoronar silencioso da pérola do Atlântico. Sim, aquela ilha onde, em tempos, existiam os turistas que agora são cada vez mais raros. A ilha onde se discute a ameaça da sazonalidade como coisa quase certa. E falamos dos novos mercados, da crise que é sempre de fora e, pelo meio, esquecemos tanta coisa, passamos por cima de tantos erros. O aterro em plena zona nobre da cidade, as praias de calhau, que eram nossa imagem de marca, agora transformadas em paraísos artificiais de areia marroquina, a marina que o mar destrói e a pedra martiriza, como se a terra se revoltasse contra tudo o que lhe é imposto de forma anti-natural. Mas é claro que nada disto importa. O importante é termos sempre alguém pior a quem nos possamos comparar para a necessária e obrigatória redenção.