Mudam-se os tempos, as gentes, as aparências e encurtam-se as distâncias, mas as mentalidades são as mesmas, prevalecem as ideias pré-concebidas e estereotipadas resultantes dos interesses e dos "lobbies" culturais. Indiferentes às injustiças realizadas na nossa sociedade, ficamos sempre apáticos, pois fazemos parte de uma cultura à Portuguesa. As pessoas criativas que arriscam e que estão constantemente a abrir novos caminhos, são vistas com desconfiança, pois o avanço não se coaduna com os "pseudo-doutores" da nossa praça. Estes por sua vez, aparecem posteriormente, usufruindo dos caminhos abertos, sem que nunca tenham dado provas ou construído algo de útil à nossa sociedade. Nem precisam de fazê-lo, pois são previamente catalogados pelo terreiro, onde continuam a prevalecer as ideias pré-concebidas. Fala-se em descentralização cultural, pensando que basta levar a actividade cultural às zonas rurais, criando espaços culturais e trazendo os "Dr.(s) da metrópole", que crêem ser os verdadeiros transformadores de uma democratização cultural. Passada a euforia, chega a realidade, e assiste-se a uma repetida frequência de clientela nestes espaços que lá estão para a tão desejada fotografia social. Por outro lado, são raras as pessoas dessas localidades, que sabem da existência dos poucos eventos artísticos existentes nesses espaços, pois não há interesse nessa "gentinha que cultiva a terra", nem muito menos nos seus descendentes, que não sendo filhos de peixes, julgam que não irão com certeza apreender a nadar. Assim não se verifica qualquer tipo de cuidado em calendarizar programas e respectivas condições favoráveis para os cativar, diversificando o tipo de públicos que deveriam frequentar estes locais numa verdadeira descentralização cultural. Fica então e aqui a chave para o sucesso destes espaços: valorizar a essência em detrimento da aparência.

Luís Guilherme de Nóbrega, Professor