Fernando Morna Li, há pouco tempo, o Vice-Presidente dizer que temos que ser mais solidários. Desculpem-me, mas eu este ano não vou ser solidário. Nem com a Ajuda de Berço, nem com a Cáritas, nem com a Abraço, nem com a Fundação do Gil, nem com a Casa do Gaiato, nem com o banco alimentar, nem com a AMI, nem com qualquer outro peditório. Desculpem mas não vou ser. E, porquê esta atitude? Depois do temporal de 20 de Fevereiro, eu, como muitos outros madeirenses e portugueses, contribui, com aquilo que pude, fazendo arredondamentos nas compras, canalizando parte do valor de algumas compras para o esforço da reconstrução, depositando algum dinheiro, não muito confesso, numa conta solidária. Pensei, na altura, que perante a enormidade do esforço material e humano que seria necessário para colmatar as situações de necessidade, haveria rigor na distribuição do dinheiro angariado. Puro engano. Vi, há algum tempo, uma fotografia no JM que ilustrava a notícia do Sr. Presidente da Câmara Municipal do Funchal a disponibilizar ajuda a famílias da freguesia de São Roque, que foram afectadas pelo temporal de 20 de Fevereiro de 2010. Fiquei absolutamente espantado. E porquê? Porque a senhora que aparece na fotografia, que é proprietária de algumas casas na zona dos Viveiros, mais precisamente uma na Est. Dr. João Abel de Freitas, nº 86, que não foi afectada pelo temporal de 20 de Fevereiro, esteve lá a receber ajuda para a reconstrução dessa casa. Todos os estragos que se puderam constatar nessa casa são muito anteriores ao temporal. E é fácil prová-lo… Aliás, alguém investigou a seriedade da informação que levou à concessão da ajuda? Falaram com quem lá morou? Conheço quem tenha fotografias de datas anteriores (Outubro de 2009) onde já é visível o estado de degradação do telhado dessa casa. Não é por qualquer sentimento de inveja ou por qualquer outro sentimento menor que faço este reparo. Ou esta denúncia, como quiserem… Faço-o porque acho extremamente injusto (para não dizer outra coisa) e de uma safadeza gritante, alguém se aproveitar da desgraça (de muitos) para tirar dividendos sem ter direito a estes e sem ter sido afectado por aquela. Conheço gente que foi afectada pelo temporal e que ainda não sabe se vai (ou quando vai) receber ajuda. Conheço gente que teve que recorrer à banca para resolver os seus problemas no imediato, porque não podia esperar por essa ajuda. Conheço quem tenha dívidas para com o banco sobre aquilo que perdeu e ainda tenha de pagar renda para ter onde viver… O dinheiro que foi dado ou gasto, nas palavras do Sr. Presidente da C.M.F., "…não é dinheiro do Estado nem do contribuinte, é dinheiro que as pessoas doaram para apoiar os mais carenciados", "…alguns alunos da escola de São Roque que se reuniram e conseguiram juntar 237 euros…" (se calhar abdicaram do seu lanche). É com este dinheiro que se ajuda estes oportunistas. Gostaria de ver esclarecida esta questão, ou pelo presidente da Junta de Freguesia ou pelo Presidente da Câmara. Sei que não se deve confundir a árvore com a floresta, mas perante situações como esta, fico com dúvidas quanto ao rigor e seriedade dos processos que levam à concessão dos apoios. Alguma coisa deverá ser feita para acabar com este tipo de aproveitamento, sob pena de, se nada se fizer, provocar-se o descrédito, penhorar-se a boa vontade das pessoas e penalizarem-se ajudas futuras (qualquer que seja a causa).