Francisco Leite Monteiro Ao interesse que me despertou a entrevista do Presidente da Administração dos Portos, Bruno Freitas, vinda a público, no Diário de sábado passado, sucedeu a minha indignação, ao perceber que afinal, contrariamente às expectativas e ao que em Setembro me foi referido e escrevi em "Reflexões de Outono" (Diário de 01.10.10) a obra do "Cais Norte" e, o que é mais grave, o famigerado "Tapume da Vergonha", irá permanecer durante e para além das "Festas do Fim do Ano". Efectivamente, e como em diversas ocasiões escrevi, chega a ser inqualificável, a demora e o sucessivo adiamento da conclusão da obra ao longo da velha estrada da Pontinha, a via de acesso entre o porto e o centro da cidade, por onde passam milhares de turistas dos navios de cruzeiro que visitam a Madeira, além de muitos outros turistas que, vindos da zona dos hotéis, descem a Rua Carvalho Araujo, aspirando a um agradável passeio a pé, à beira-mar, até ao centro do Funchal, para além dos Madeirenses por ali transitam, todos dias. O protelamento de uma tal situação, só admissível, por tempo muito limitado, tornou-se inaceitável, ao sujeitar-se todos os passantes a fazer um percurso por uma nesga de passeio, com menos de um metro de largura, encurralados entre a faixa de rodagem e um tapume em chapas de zinco, tapume que se tem vindo a degradar, quase imundo - o "Tapume da Vergonha"! Por todas as razões já enunciadas, a que se deve acrescentar o facto de na "Passagem do Ano", estarem no porto 6 navios, transportando mais de 10.000 passageiros, para assistirem ao já classificado maior espectáculo de fogo de artifício de todo o mundo, nesta que é a primeira cidade europeia nascida no meio do Atlântico, capital da que aspira a ser reconhecida, como uma "Região de Excelência", não se entende a indiferença ou a falta de sensibilidade que parece dominar alguns centros de decisão responsáveis, consentindo numa tal situação, que é, simplesmente, LAMENTÁVEL!