Apesar de global e normalizado, o mundo não ficou assim tão mais pequeno. A crise económica, que se diz mundial, e a turbulência a ela associada, passa muito pelo eixo que se utiliza como referencial. O "Ocidente", palco central das notícias, porque é este o espaço geopolítico que ocupamos quotidianamente, parece à beira de um colapso. A resposta também não deixa de constituir um paradoxo interessante, quase autofagia, pois, impõe comportamentos e práticas económicas aos que menos valem, dando-lhe afinal o valor de sustentar os portentos económicos franco-germânicos. O cidadão comum não entende como podem as frágeis e diminutas economias portuguesa e grega colocar em risco as robustas maquinarias alemães e francesas. Afinal, somos assim tão importantes, a ponto de ser oferecidos em sacrifício para salvar a dita economia europeia? E o que se passa no resto desta Europa? Que é de países como a Bélgica, Áustria, Suíça, Luxemburgo, por exemplo? Como fogem eles dos noticiários? Valeria a pena sabermos como resolvem esta questão da crise económica global, sem aparecer na lista dos países que arrastarão a Europa e o resto do Ocidente para o inferno que os jornais e telejornais europeus anunciam. E o resto do mundo onde moram outras economias, tão frágeis ou piores que a nossa? Como encaram esses países os dias que ai vêm, após o colapso português, grego e irlandês? Indiferentes, mal informados ou inconscientes? Esta história está mal contada. É uma ideia que merece ser combatida ou, ao menos, testada, nos pressupostos e na previsão apocalíptica. E precisa ser contestada na forma também. Testar essa existência que não discute a competência de quem manda, que não exige ideias próprias e vontade de decidir por si só. Ainda existem países? Portugal quer ser país ou, antes, pretende ser um pequeno mundo de ideias, dos outros? Que Europa é esta que prescinde dos seus e que se apresta para dispensar culturas únicas em favor de uma única cultura? Precisamos de uma pequena ideia do que somos e podemos ser neste mundo. E não vão ser os outros sugeri-la.
António Domingos Abreu