Durante largos anos o nosso país foi uma "potência" no que à formação de jogadores de futebol diz respeito. A denominada "Geração de Ouro" foi, talvez, o expoente desses anos dourados. Inúmeros jogadores talentosos dessa geração brilharam nos melhores clubes europeus. Várias selecções conquistaram títulos europeus e mundiais. Contudo, nos últimos anos, temos nos distanciado dessa realidade. Importa, talvez, perceber porquê. Talvez porque não evoluímos em termos de trabalho. Talvez porque confiámos apenas no talento dos nossos jogadores, esquecendo que esse talento necessita de ordem, organização e enquadramento. Talvez porque apenas olhemos para o sucesso de hoje, não importando o preço futuro desse "egoísmo". Talvez… talvez… talvez… Mas, talvez, de pouco valha recorda saudosamente o passado ou distribuir culpas gratuitamente. Importa, talvez, encetar mudanças. Colectivas e individuais. Aos clubes importa, talvez, definir uma linha de rumo coerente, consubstanciada na sua realidade e cultura enquanto clube, na sua história. Uma linha de rumo que defina metas, processos, formas de agir. Aos técnicos cabe assimilar tudo isso e colocar na prática, sabendo ambos que o sucesso será sempre obra de todos e não apenas de quem dirige no momento. Tendo consciência que o todo deve ser maior que a soma das partes. Porém, antes de tudo isto importa, talvez, perceber se a formação é um investimento ou… uma despesa. Sendo a primeira hipótese convém rentabilizar o melhor possível. No segundo caso, talvez o melhor seja "fechar a secção". Ah, mas isso não é possível! Pelo menos por cá. Os contratos programa a isso obrigam! Chatice!

Paulo Fernandes, Treinador de futebol