
Luís Filipe Vieira garantiu que Jorge Jesus não é o problema, mas parte da solução e ficou tudo resolvido quanto ao treinador do Benfica. É Jesus e não há discussão. No PSD-M nem foram precisas tantas explicações, porque também não havia nada para explicar e ninguém, nem mesmo o mais ingénuo dos adeptos, estava à espera disso. Jardim continua e fim de conversa, porque é Natal, porque houve o 20 de Fevereiro, há a crise, não há dinheiro, há inimigos e... porque é assim mesmo. ‘Vamos, vamos, Alberto João’, cantaram todos.
Só surpreendeu a surpresa encenada pela plateia e por alguns meios de comunicação social que descobriram que o líder laranja ainda não tinha ‘oficializado’ a recandidatura, embora fosse admitida há muito, escrito e nunca desmentido.
Também não surpreende a promessa de renovação, porque é isso mesmo que irá acontecer. Jardim vai renovar os votos de fidelidade à autonomia, renovar a promessa de cumprir os ideais de Sá Carneiro - vá lá saber-se quais - e renovar a confiança nos seus incondicionais. Tudo renovado, incluindo a certeza de que ninguém terá tempo de vida suficiente para aspirar a liderar o partido e o Governo.
Os mais espertos já perceberam isso e há muito que desistiram. Ou vão gozar reformas antecipadas chorudas, ou tentar o que o chefe nunca conseguiu: sair da ‘série Madeira’, onde as vitórias são certas e renovadas e tentar qualquer coisa nos ‘nacionais’. Passos Coelho pode ser um reboque importante para quem procura mais alguma coisa. O próximo ano é decisivo.
E Jardim fica por aqui, como se esperava e até era desejável para o partido. Primeiro, porque poucos seriam suficientemente suicidas para querer pegar num Governo no estado em que se encontra. Depois, porque o titular nunca pensou sequer em dar a vez. Para sair há uma condição obrigatória: ter para onde ir. E isso há muito que Jardim sabe que não tem.
A oposição reagiu, falou em mais de 30 anos de poder e outros recordes, mas não foi além disso. Sobretudo porque não esperava outra coisa e porque não ficaria bem, seria muito pouco desportivo, pedir que o adversário jogasse sem o seu ponta-de-lança. E perder com Jardim é mais fácil de justificar do que com qualquer outro. Basta recuperar os discursos das noites das eleições, desde 1980.
Jardim vai a votos para um décimo mandato em que vai mudar todo o sistema político português, virar o País do avesso, sair por cima e mais não sei quantas fantasias de comício, gritadas no palco da festa de Natal. Ao contrário do Jesus do Benfica, vai continuar porque não tem a solução e é parte importante dos problemas desta terra. Mas isso são pormenores em que ninguém pensa.
Quem é que haverá, quem é que não acha, que é o PSD que põe a Madeira em marcha? É verdade, só não se sabe para onde.