Doze anos de escolaridade obrigatória e cinco de formação superior ou dezassete anos de treino desportivo parecem muito tempo, mas se considerarmos apenas os dias e as horas de aulas e de treinos/competições, facilmente concluiremos que urge rendibilizar ao máximo cada minuto, pois o tempo disponível para desenvolver personalizadamente cada jovem acaba por ser reduzido. Em 17 anos - mesmo que utilizássemos 300 dias por ano (o que é quase impossível) teríamos 5100 dias. Se os rendibilizarmos a 70% ficamos com 3570 dias, mas a 50% teríamos apenas 2550 dias. Perguntamos - quanto tempo de uma aula de 50 minutos ou de um treino de 90 minutos são de facto aproveitados? Mas o que é aproveitar o tempo que se dispõe? É suar muito? É saber repetir e reproduzir o que o professor/treinador manda executar de forma mais ou menos padronizada para todos? Ou será desenvolver as capacidades de cada um consoante as suas necessidades e potencialidades? Quais são os objectivos da aula/treino? Que transformações pretendem promover? Visam formatar e adestrar ou ajudar a pensar, compreender e actuar em função das análises que se façam? Que "trabalhos" inúteis fazemos em cada aula/treino, nos exercícios que seleccionamos, na posologia que utilizamos, na forma como os apresentamos? Não poderíamos fazer melhor? Que meios auxiliares utilizamos para melhorar a precisão do diagnóstico, da prescrição e do controlo do processo evolutivo de cada aluno/desportista? Não podemos esquecer que estamos a formar, na Escola e no Clube, jovens que estarão no mercado de trabalho durante os próximos 40/50 anos, mas parece que andamos distraídos e a assobiar para o lado. Educar/treinar é alargar os limites … Há assim que optar entre um processo pedagógico que valoriza o decorar um conjunto de expressões e outro em que se aprende a interpretar os sinais, percebendo intencionalidades e gerindo equilíbrios. Convém que nos questionemos se cada um de nós fez e está a fazer a sua pequena parte para rendibilizar os processos. É que muitos dos problemas que hoje vivemos e sentimos, também são consequência dos professores, treinadores, pais, dirigentes, políticos.., não terem sido suficientemente competentes no passado. Boas Festas.
Hélder Lopes, Professor Universitário