Sou daquelas pessoas que acha que o Dr. Jardim deve manter-se ao leme dos destinos da Madeira eternamente. E digo eternamente com a certeza de que irá haver aparições no Chão "sagrado" da Lagoa (o terreno na Fundação Social-Democrata não tem o mesmo misticismo). Imagino romarias e promessas no último domingo de Julho, dia santo de guarda. Por tudo isto, não me surpreendeu nada o anúncio de recandidatura. Todos sabíamos. Notícia, a sério, seria o contrário. Mas é para cumprir o mandato todo, caso seja eleito? Não arrisco palpites. Certo é que o dr. Jardim apelou aos mais velhos para darem lugar aos mais jovens nas estruturas do partido. Como o dr. Jardim se mantém, significa que é o mais novo. Ou seja, o Dr. Jardim não é problema... é solução, mais uma vez. Não tem alternativas dentro do PSD/M aofim de mais de três décadas de escola. Portanto, cerra portas aos de meia-idade, balzaquianos para cima. É natural. Afinal, 1978 não está assim tão longe. Nisso estamos de acordo, eu também acho, por vezes, que a revolução de Abril foi ontem e que só vi as imagens três dias depois. Erro de paralaxe e que em fotografia significa a diferença entre o que vemos através do visor simples da máquina e o que a objectiva regista ou, prolongando a ideia, a diferença entre aquilo que nos lembramos e aquilo que fotografamos. E eu lembro-me dos meus 18 anos. Tenho ainda outro problema. Sempre que ligo um dos computadores lá de casa, aparece no écran o aviso que um tal software não é reconhecido, passou a validade. Tenho duas hipóteses: "resolver agora" e "resolver depois". Eu clico sempre no "resolver depois". Até um dia...em que sistema bloqueia. Agora, vejamos o que vem por aí. Dores de cabeça. Das grandes. Já não falo da economia regional, turismo, construção civil, comércio, desemprego, etc. nem das dívidas aos fornecedores, nem das relações com a banca, nada disso. Falo de algo que está a estoirar mais dia menos dia. O serviço regional de saúde é uma bomba-relógio que vai cair no colo do Dr. Jardim se não tomar medidas a sério. O povo não vai entender, aliás, já começa a não entender as horas e horas de espera de uma cama quando após o internamento repara que afinal ficou sozinho no quarto? Não entende, por exemplo, que a informação de um doente introduzida no computador na urgência do Hospital Dr. Nélio Mendonça não chegue ao Hospital dos Marmeleiros. E não percebe porque doentes privados são remetidos para o público para fazerem testes de diagnóstico de borla. Para quando uma auditoria a sério? Que poderes se cruzam neste emaranhado de interesses? O dr. Jardim deveria saber. Se não sabe é porque pensa que manda e já não manda. Mas alguém tem explicar que "bordel" é este, parafraseando o dr. Marcelino Andrade. Um mimo de linguagem. Partir um pulso é fácil. Difícil é pôr o braço a funcionar, outra vez.1
Lília Bernardes, jornalista DN-Nacional, na Madeira