O Estado contempla um conjunto de apoios sociais, dos quais relevo, nesta reflexão, aqueles que se destinam aos desempregados e a assegurar rendimentos que se entendem mínimos. A opção de seguir o caminho mais fácil tem tanto de indigna para os beneficiários, como para a sociedade em geral e demonstra que a má resolução de um problema social implica um enorme problema económico por via da insustentabilidade do sistema. São frequentes os casos de abusos. Subsidiados com actividades profissionais não declaradas, inactivos crónicos que se recusam aceitar empregos oferecidos, dependências preocupantes e injustiças profundas. Considero que a evolução deve operar no sentido da simplificação e requer bom senso. O estado que garante o subsídio de desemprego ou um rendimento mínimo tem a obrigação em exigir uma contrapartida ao beneficiário. É uma questão de princípio, de boa gestão, de respeito por todos os cidadãos e de educação. No caso dos desempregados, o Estado deveria privilegiar o envolvimento das empresas, entregando-lhes esses montantes e fazendo com que os respectivos subsídios fosses atribuídos através delas, procurando que os visados estivessem activos, integrados no mundo do trabalho, familiarizando-os com experiências que facilmente se tornariam a solução da empregabilidade. Ou seja, utilizando as empresas como veículos activos do processo, sem lhes exigir as condições que actualmente as afastam dessa participação. Em todos os outros casos (de desempregados não subsidiados através das empresas e dos beneficiários de rendimentos mínimos) o dever da contrapartida impõe-se, nomeadamente, através da prestação de trabalho cívico à comunidade, nas variadíssimas actividades do domínio públicos, incluindo a natureza, a saúde, a educação, a prestação de atenção e cuidados aos cidadãos, entre outros. A política social deve evoluir para um compromisso social e não ficar na lógica da dependência, porque tudo tem limite até a capacidade de alimentar as loucuras colectivas.

Eduardo Jesus, Economista