Ao folhear o livro do Centenário do Clube Desportivo Nacional recentemente apresentado, deparo-me na página 78, no canto superior direito, com uma foto do plantel que pela 1ª vez disputou o então Campeonato Nacional da I Divisão, época 1988/1989. O que mais me chamou a atenção, por isso quero neste espaço relevar e compartilhar, é o facto de no plantel da equipa que no ano de estreia classificou-se em 10º lugar, estarem lá 13 madeirenses, sendo que apenas 1 não fez a formação no Nacional. Não há engano, são mesmo 13 (!) madeirenses (!), num plantel de 25. Mais de metade (!) E para que não haja dúvidas, aqui vão os seus nomes: Ricardo Ladeira ( o único que não fez formação no clube), Emanuel, Zé Rocha, Jordão, Paulo Jorge, Xavier, Tininho, Vieira, Cristiano, Menny, Higino, Rui Duarte e Carlinhos. E como as imagens e as realidades não se apagam nos tempos, eis a pergunta que se coloca tanto aos responsáveis do Nacional como do Marítimo, enquanto presidentes dos clubes que militam na Liga Profissional. O que se passa com a formação de ambas as colectividades que não conseguem preparar jogadores com capacidade para integrar as respectivas equipas seniores e os que reúnem potencialidades são (eventualmente)preteridos? Formar sem profissionalizar faz algum sentido nestes dois emblemas? Ou será que o busílis da questão assenta noutros projectos e onde o jogador madeirense não passa de um 'faz de conta'? Se antes, com condições paupérrimas de trabalho, sem participação das equipas de juniores na I Divisão Nacional, saiam vários atletas para as equipas profissionais, tem de haver qualquer explicação para não vermos, tanto nos Barreiros como no Estádio da Madeira, atletas ilhéus. Se tanto Rui Alves como Carlos Pereira valorizassem e apostassem mais os 'nossos' certamente que o PS como o BE não andavam a fazer tanto ruído nos apoios que o GR dá ao futebol profissional.
Miguel Justino, Reporter