
Martinha e Gabriela sonhavam há anos com uma cadeira de rodas. Algo que possibilitasse uma saída de casa, um passeio na rua, uma vinda ao Funchal. O apelo de ajuda às duas irmãs residentes no Curral das Freiras chegou ao DIÁRIO e foi publicado. Em dia feriado, os telefonemas começaram logo pela manhã. Pessoas que tinham lido a história de Martinha e Gabriela queriam ajudar. António Nóbrega foi o primeiro, mas muitos outros lhe seguiram. No sábado, Martinha e Gabriela nem queriam acreditar. O milagre desejado tinha realmente se concretizado e o Natal deste ano será certamente o melhor de todos os anteriores. A História está cheia de pequenos milagres. Pequenos gestos e exemplos de dádivas que não chegam às páginas dos jornais, ou que não ‘interessam ‘ para fazer notícia. Mas os milagres sucedem-se quando bate à porta alguém esfomeado e lhe damos de comer, quando o dinheiro não chega para os medicamentos, mas há quem faça a conta ‘desaparecer’… Os pequenos milagres são prova também de que há ainda quem se importa realmente com o que se passa à sua volta, quem não gosta de ver alguém a passar fome ou com outras necessidades bem reais. E este ano, os milagres foram mais necessários do que em outros anos quaisquer. Foram precisos tantos depois de 20 de Fevereiro e, com as dificuldades da vida a aumentar de dia para dia os apelos crescem. Se há alturas em que se duvida da solidariedade das pessoas, da capacidade de olhar para além do próprio umbigo, de um verdadeiro altruísmo, a história de Martinha e Gabriela e de António Nóbrega que, no dia em fez 70 anos, decidiu ter como prenda um presente de vida aos outros, serve de exemplo contrário. Porque no dia em que a história das duas irmã foi publicada, ‘choveram’ contactos na Redacção do DIÁRIO. Tantos quiseram oferecer cadeiras de rodas, dar algum dinheiro para ajudar, saber o que mais poderiam fazer para que Martinha e Gabriela pudessem sorrir ainda mais. Nestes dias em que somos surpreendidos com a disponibilidade de uns para ajudar os outros, para dar sem nada pedir em troca, acabamos por também nos surpreender com a Humanidade, porque afinal as pessoas não são assim tão egoístas, porque ainda há quem se comova com os ‘desaires’ dos outros. Afinal, mesmo nas alturas de maiores dificuldades surgem sempre oportunidades, nem que seja para ajudar quem precisa mais do que nós. E para isso, não precisa de ser Natal, nem nós precisamos de ser ricos, de pertencer a um qualquer governo ou instituição. Basta haver vontade de ajudar alguém a sorrir e de participar num pequeno milagre.