A chegada da concorrência no capítulo da diversão natalícia levou o presidente do Governo a trabalhos redobrados como "artista em trapézio sem rede". Foi o próprio a assumir tão hilariante condição num dos muitos discursos da semana, confirmada noutras exibições em actos oficiais, em que fala mais de acordo com a clientela do que as convicções. Jardim proferiu declarações que reflectem com eloquência o estado de sítio a que pela sua mão a Região chegou, de braço dado com a falência, com o colapso financeiro e com a instabilidade social. O que disse apenas na semana passada dava um anexo de um qualquer manual de descredibilização da classe governante. "Não há um único discurso meu em que vos faça promessas loucas". Difícil é não encontrar um onde impere o facilitismo populista. Querem prova recente? Sexta-feira garantiu "resolver o problema deste país, só com três palavras: produtividade, competitividade e emprego". Se ao menos passasse das palavras aos actos, logo nestas três áreas que, na Madeira, são problemáticas e deficitárias. A desculpa é célere. "Eu sei que neste clima de dificuldades o dinheiro não dá para tudo". Então se sabe, condição sobre a qual muita boa gente já começa a ter dúvidas, porque é que não define prioridades? Será mais importante espatifar milhões em futilidades e satisfação de caprichos pessoais ou saldar os calotes que tem em todas as frentes da economia regional, que arranjou em nome do "investimento que não pode parar", sobretudo agora que está aberta mais uma época da caça ao voto? Pouco lhe importa o incumprimento. Interessa-lhe mais a intriga. "Onde é que foram buscar dinheiro para, quando andamos todos encravados, o Governo dos Açores estar à vontade para estas fantasias?". E os delírios locais, os avales a descoberto, as obras sem retorno e as outras opções amplamente subsidiadas? E as loucuras à conta das transferências do Orçamento de Estado, o tal que mereceu voto contra, sem que isso iniba o poder regional de estender a mão e meter dinheiro nalguns bolsos? A banca, a quem a Região deve balúrdios, agradece o dinheiro fresco, que não chegará a quem precisa, os empresários que acreditaram nos discursos. Culpados? As habituais vítimas do insulto oficial, aqueles que pedem um desenvolvimento com regras e sustentável. E o Governo Regional? Nem pensar. "Esta terra que está a ser vítima das asneiras e de vinganças políticas dos outros" tem gente audaz, infalível e séria. Tem dúvidas? Jardim admite que se fosse primeiro-ministro, agiria como na era da gazeta, rebuscando "o que se fazia em Coimbra nas Repúblicas", ou seja, "escrevia na parede". O governante 'graffiter' aplicaria em tons de azul a sua última ilusão: "É legítimo que discordem de mim". Demagogia e requentada. Já todos sabem o destino que o eterno líder, uma vez mais candidato, deu aos desalinhados. António Nóbrega, Empresário Foi o primeiro a disponibilizar-se para ajudar as irmãs do Curral. Um exemplo que serve de alerta a quem demora muito a decidir. Élvio Jesus, Presidente da Ordem Enfermeiros Ao denunciar a "promiscuidade" entre o público e privado na saúde desmontou alguns negócios. Há casos de polícia para investigar. Miguel de Sousa, Presidente da AG do Nacional Mais do que o discurso eloquente no 100º aniversário, regista-se a elegância como tratou o rival. A pacificação também se faz com palavras Bruno Freitas, Presidente da APRAM Também tem a sua quota parte no prémio do melhor destino europeu de cruzeiros. Portos da Madeira animados e sem lodo é o que se quer Jardim Ramos, Secretário Regional Para além dos conflitos que não soube gerir, sabe-se agora que não gosta de ouvir as partes. Assim, a sáude não sai do coma profundo.
Ricardo Miguel Oliveira, Director