José A. Roque Martins Ao tomar conhecimento das declarações do Senhor Secretário Regional dos Assuntos Sociais do Governo Regional da Madeira, a propósito da minha intervenção na Audição Parlamentar Pública, promovida pelo Bloco de Esquerda, no passado domingo, no Funchal, não quero deixar de manifestar a minha profunda estranheza. Diz o Senhor Secretário que eu não lhe mereço nenhuma credibilidade e estranha também que ainda me dêem credibilidade. Penso que, na origem deste inequívoco, o Dr. Jardim Ramos deve desconhecer o meu curriculum profissional, político e académico e que fará de si próprio um julgamento que as pessoas e as instituições sediadas na Madeira possivelmente não comungam. David Hume dizia que "Todo o comportamento tem as suas razões. A Ética é simplesmente a razão maior." E tudo estará de facto no comportamento deste senhor, um médico banal de província, sem cultura e saber, político menor e totalmente irresponsável como se tem "afirmado" na cena política madeirense. Recordemos as suas declarações públicas sobre diversos temas e estou certo que muitas estariam no anedotário de língua portuguesa. De facto, no cenário da nossa actualidade, reflectindo sobre o seu comportamento ético e político e vivenciando as suas responsabilidades, abordando a transparência das informações que presta, ou que não presta, temos que concluir que a postura do Dr. Jardim Ramos em nada contribui para o estímulo de uma sã vivencia política e responsabilidade social, a caminho do fortalecimento da fé pública. Mas falemos de credibilidade porque foi neste atributo que o Dr. Jardim Ramos se escudou para não comentar, perante os jornalistas, as afirmações por mim proferidas na Audição Pública que o DN destacou na sua edição de 2 de Dezembro p.p. De facto a credibilidade sempre foi um atributo essencial nos mais diversos tipos de relacionamentos. Podemos dizer que uma pessoa é digna de crédito quando ela consegue estabelecer relações interpessoais em que o outro se sente confortável em concordar ou discordar de suas ideias e escolhas. Se voltarmos este conceito para o mundo corporativo ou político, que exige uma incessante busca de mudança, observamos novos padrões éticos e de comportamentos que apontam que a credibilidade só se mantém quando conquistada pela confiança. O diálogo autêntico faz parte desse contexto e traduz que essa verdade se aplica às pessoas que se comunicam tal como elas são. Uma pessoa tem credibilidade quando o seu interlocutor lhe atribui o conceito de ser e parecer verdadeiro. Ora é o que o Dr. Jardim Ramos não é e que eu procuro ser em todas as actividades e funções que exerço ou exerci ao serviço do País e da Igreja que tanto amo e na qual dou testemunho. O Senhor Secretário Regional Jardim Ramos é capaz de não saber mas eu já lhe disse várias vezes nos escritos que tenho feito sobre a sua pessoa e a sua postura política: existem pessoas que não parecem e não são competentes - são uma falsidade. É o seu caso. Enquanto para alguns a mentira engana por algum tempo, nele a falsidade é denunciada imediatamente. O bloqueio da comunicação aparece logo nos primeiros contactos, impedindo a continuidade de um relacionamento duradouro. De facto a relação - credibilidade e comunicação assertiva - se enquadra na combinação ser e parecer que resulta na verdade. Pessoas com esses atributos estimulam uma comunicação transparente, honesta, e de mão dupla. Elas conseguem estabelecer as duas direcções que flexibilizam e dão equilíbrio à sua relação com o outro: influenciar e ser influenciado. O que não é o caso do Dr. Jardim Ramos - antes pelo contrário. Credibilidade? Este conceito de vida resulta da verdade que o senhor Jardim Ramos não pratica e eu procuro testemunhar no meu dia-a-dia, em todos os locais e em todos os momentos. No uso da verdade somos mais convincentes, pois não só o emissor da mensagem acredita e sabe das suas próprias competências como é percebido como tal aos olhos do outro. Quando não queremos discutir os assuntos por impreparação ou incompetência resta-nos acenar com uns chavões ou palavras de circunstância pensando que os outros são estúpidos e não reconhecem que a ética e a credibilidade estão imbuídos de princípios morais que regem o exercício profissional e político. Nesse sentido, podemos entender a ética como um pacto de princípios entre aqueles que exercem uma profissão, tendo como principais objectivos o respeito mútuo e a satisfação plena dos cidadãos - o que o Dr. Jardim Ramos não pratica e não respeita. Gostaria por último, reafirmar o que disse há dias numa entrevista a um semanário na Região: "Sempre me habituei a dar o meu testemunho em círculos abertos e não só para a "tribo" que formatou o nosso pensamento e não nos deixa ouvir com o mesmo ritmo e força com que testemunhamos. Abrir o meu coração aos que mais sofrem sempre foi meu apanágio e por isso ter assumido sempre responsabilidades que os tempos e as conjunturas não podem ignorar". Faço-o onde for chamado a dar o meu testemunho como homem de pensamento livre e independente, aqui como em qualquer outro ponto do mundo. Permitam-me que termine dizendo que as afirmações que fiz, na referida sessão, são verdades vividas e sentidas e voltarei a usá-las sempre em defesa dos meus princípios e valores que não esmorecem com laivos grosseiros de impertinência contida porque, mais que tudo é a arte (pobre) do fingimento.