As minas, nos dias que correm, estão associadas a material bélico mas também à extracção de materiais e pedras preciosas. Isto a propósito da "nossa" mina, o Minas Gerais, ali junto à rotunda do Infante que afinal terá de vir abaixo. Se estas minas gerais tivessem sido edificadas no mesmo espaço que o edifício antigo, hoje não teríamos este problema. Aquele edifício não nasceu por geração espontânea! Nasceu porque existiu um licenciamento por parte da CMF e do seu responsável, Miguel Albuquerque e, com certeza, com pareceres favoráveis da Secretaria de Santos Costa que, agora, propõem-se a indemnizar o proprietário. A mina cresceu em altura e em profundidade e foi-se aproximando da margem da ribeira e como se de uma planta se tratasse, com a abundância da água ali nas raízes do edifício, este cresceu mais do que estava autorizado. Veio o 20 de Fevereiro que, sem pedir licença a Albuquerque e Santos Costa, mãe e pai do edifício, colocou à evidência de todos que não prescindia de uns metros das suas margens para se fazer ali um filho de seu nome Mina de Santos e Albuquerque. O 20 de Fevereiro também disse quem quer uma mina que vá falar com a Câmara e o Governo, assim foi! Indemnização à vista. Como é que ficam Albuquerque e Santos Costa nesta história? Ficam bem, muito bem, porque quem vai pagar é o contribuinte e esses dois cavalheiros não serão responsabilizados. Mas, como é tradição, o contribuinte que paga os erros de governação será o primeiro a pagar novamente, com o voto, para que estes senhores continuarem a proliferar os seus erros e a passar a factura a todos nós. Mas, nesta história toda, eu pergunto àqueles que se viram envolvidos na fúria das águas das aluviões, que perderam as suas casas, casas essas que estão ou estavam numa zona de risco, pergunto se irão receber, como receberão os proprietários do Minas Gerais, uma casa nova que ficará registada no seu nome e dos seus descendentes?

Victor Freitas, Deputado do PS-M