Eduardo Afonso Uma das questões que um dos convidados do programa Antena Aberta da Antena 1, painel que se propunha debater a necessidade de remodelação do Governo da República, apontou a escandalosa compra dos blindados para as forças de segurança, no âmbito da cimeira da NATO em Lisboa, como exemplo da desarticulação interna e desregulação do elenco governativo. Parece-me que este exemplo é bom, mas quando analisado de uma outra perspectiva: 5 milhões de euros para a compra de blindados para PSP, quando a GNR, ao que parece já dispõe deste tipo de equipamentos? Quando ainda decorre o programa de reequipamento das forças armadas, com a aquisição de centenas de viaturas PANDUR para o Exército e para os Fuzileiros? Ainda esta semana assistimos a uma operação de forças de segurança, envolvendo militares e polícia, nas favelas do Rio de Janeiro. O Brasil, país-continente, potência emergente actualmente com a 8ª maior economia mundial, com um PIB estimado de 1,499,000 milhões de USD, utiliza meios militares para garantir a ordem pública, a segurança dos seus cidadãos. Já Portugal, 39ª economia na mesma lista, com um PIB estimado de 219,800 milhões de USD (sete vezes inferior), considera que é necessário gastar mais 5 milhões do erário público em blindados que nada acrescentam às capacidades já existentes no País. O nosso problema passa realmente por uma série de questões, uma das quais, como este exemplo deixa claro, é a questão das "guerras das quintas", a que eu me permito acrescentar as "guerras dos quintais" e ainda as ridículas "guerras dos cântaros". Com esta mentalidade sectária, nunca poderão existir soluções de unidade nacional para o país, em que as energias do todo superem as energias e capacidades das partes.