José dos Santos Indignado e espantado é como eu me sinto, após ter vivido fora da ilha onde nasci e apesar de vê-la sempre bonita (nalgumas zonas) não aceito nem compreendo tanta falta de respeito pelo urbanismo público ao ver certos barões a tomar conta do que é público, do que é de todos. São vários os infelizes casos. Ao regressar a uma rua que é muito querida pela infância e adolescência que lá passei: a Rua da Alfândega e em especial o Beco do Açúcar, beco que foi para meu espanto apropriado por um comerciante esperto que quis e conseguiu que uma passagem pública que é o beco em questão se tornasse numa esplanada particular, fechada e trancada ao público. Mas há mais... Na Rua dos Varadouros, colocaram-se portas e assim mais barão anda com a chave de uma rua pública no chaveiro. Ainda mais grave instalou-se nessa "rua privada" uma cobertura externa fixa no prédio do vizinho, que que ainda não reclamou eventualmente com receio das represálias do quero posso e mando da Porto Santo Line. Onde estamos chegar? As regras não se podem moldar pelos caprichos comerciais. Que Câmara Municipal é a do Funchal que licencia um espaço comercial que fecha espaços públicos, independentemente de serem pequenos. Público é público, ponto final. O presidente da Câmara não anda a pé na rua, não vê que esta situação? Sugiro ao leitor que conte todos o becos e espaço públicos passíveis de se fechar com um portão de ferro... sim porque se há comerciantes que tem direito a fechar becos públicos então qualquer um pode fazê-lo com o mesmo objectivo comercial. E assim abre-se um precedente que tem culpados óbvios: os responsáveis camarários. E quando todos os becos e restantes espaços públicos estiverem finalmente ocupados e privatizados passe-se para a generalização daquilo que se vê na Avenida Sá Carneiro, uma roulote que tem muito pouco de ambulante e com direito a instalação eléctrica fixa e permanente. Sim realmente é lucrativo este desrespeito pelo urbanismo público, pena é que seja uma vergonha e injusto para os comerciantes que o respeitam e que não fazem de alguns passeios públicos seus.