Artigo 20º da Declaração Universal dos Direitos Humanos

«1. Toda a pessoa tem direito à liberdade de reunião e de associação pacíficas. 2. Ninguém pode ser obrigada a fazer parte de uma associação».

Todos sabemos que a má educação impera, que se semeia a ignorância para bloquear as ideias e que todos os que se opõem às estratégias do poder instituído, já foram achincalhados e insultados, prejudicados em termos profissionais, ameaçados de despedimento por greve legal, excluídos sempre que possível. É o preço que pagam por entender que os princípios com que se moldam a vontade e o pensamento não podem ser mandados às urtigas e que ofender não é nenhum direito.

Mas cabe lembrar que a ofensa é tão mais gratuita quanto maiores são a raiva e o desnorte. Que estão, sem dúvida, a atingir níveis pouco frequentes, mas muitos claros.

Que bela superioridade tem esta sociedade: uma 'superioridade' que não rima com responsabilidade, nem com respeito, nem com ética. Rima mais com degradação e má educação; e quanto a estas, quanto pior, melhor ou, de outro modo, quanto pior, mais ao agrado do mandante.

Basta ver os episódios recentes. A propósito da greve no hospital, um médico ortopedista porta-voz do Serviço Regional de Saúde sugere a construção de um bordel em vez do novo hospital. Como se não bastasse ser porta-voz do poder, ainda precisou insultar colegas de profissão. Mas quem pode ser colega de tal cavalheiro? As relações de trabalho também devem assentar na ética, no respeito, no profissionalismo - 'insignificâncias' desconhecidas daquela personagem.

Também ouvi um dirigente desportivo dizer que o seu clube tomará posição em próximos actos eleitorais (ao contrário dos partidos, o presidente do clube manda nos votos dos sócios!), ou que política e futebol se devem misturar (e que bons resultados tem tido tal mistura!); mas o que verdadeiramente me causou nojo, foi a afirmação de que André Escórcio treinou um atleta preso por droga.

O que é que é isto? Insulto gratuito? Canalhice? Vai-se buscar uma situação com mais de 20 anos, relativa a uma pessoa a quem a toxicodependência bateu à porta e que pagou, social e moralmente, os seus actos (poderá dizer-se mesmo de tanta gente que anda por aí de nariz empinado, só porque tem ou teve dinheiro para pagar a excelentes advogados?) - Porquê, não se percebe, a menos que…

A menos que não seja do atleta que se quer falar mas do treinador. E sejamos claros: não vejo para que é que se faz esta afirmação se não para deixar a dúvida sobre a sua responsabilidade na dependência do atleta; ou, com um pouco mais de sorte, para deixar esvoaçar a pergunta de quem é que poderá ter fornecido a droga… Assim se tenta enlamear!

Não sei onde chegaremos mas, não haja dúvidas, o patamar da podridão há muito que começou a ser pisado e, ultimamente, os degraus descem-se a correr.

O que, em regra, é sinal de falta de pé - a caminho do trambolhão.

Violante Saramago Matos