O anfiteatro do Jardim Municipal é um encanto. Encanto também para quem nos visita e por ali passa, um palco no coração da cidade, uma preciosidade, um cantinho onde reina o explendor harmonioso da natureza. E nós, que fazemos dele? Nada ou quase. Uma região que vive do turismo está obrigada a cuidar, zelar e a rentabilizar as suas melhores jóias. Fazer daquele espaço uma infraestrutura virada para a realização de espectáculos destinado aos turistas é uma excelente e necessária opção. Até porque, as associações culturais habituadas que estão a viver ás suas custas, carecem de bons espaços de exibição e a localização é a melhor. Para tal, urge criar condições de segurança e repito, de segurança, delimitando a área e desta forma pondo termo á pouca vergonha que lá acontece sempre que se realiza um qualquer evento.Em consequência, teremos o tal conforto que permite a apresentação regular de eventos e a grande oportunidade para a implementação de bilheteiras. Dotar o palco de meios técnicos sonoros e luminosos, simples e funcionais e com isto passar à selecção das entidades disponíveis para, a troco dos custos de utilização, apresentarem ali os seus espectáculos e obterem as respectivas receitas. A promoção turística da região começa aqui, com eventos regulares, planeados com um ano de antecedência e com padrões de qualidade severos.O folclore, as bandas filarmónicas, as orquestras de bandolins e os grupos tradicionais, reúnem as condições para tal. A autarquia funchalense tem dado mostras de que a animação cultural é factor preponderante na promoção e dinamização da própria cidade. Tem aqui uma oportunidade de o fazer, recriando as nostálgicas e saudosas "Noites da Madeira" e ainda acumular o ónus de atenuar a tão badalada falta de recintos para a realização de espectáculos no Funchal.Tudo isto, praticamente a custo zero.
Eurico Martins, Director artístico da Orquestra de Bandolins da Madeira