
Tinha prometido a mim próprio que não iria escrever sobre futebol neste espaço de opinião, mas a tentação venceu a lógica. Desculpem. Ver a goleada que o meu FCP aplicou ao Benfica - os gatos deram saltos por cada golo que gritei - não deixou espaço para mais nada. Nem para orçamentos, nem para propostas inqualificáveis do líder do PSD que quer criminalizar decisões políticas (?), nem para a visita do ditador chinês que veio comprar um bocado de Portugal. Hulk meteu-os todos ao bolso, Jesus incluído, num fim-de-semana em que o Papa até inaugurou uma basílica numa Catalunha republicana, nacionalista e laica. Foi brilhante a exibição dos rapazes de azul e branco, exemplar a táctica daquele jovem de 32 anos que está a obter os melhores resultados de sempre do clube, mas não convence os comentadores. O resultado... é como a música do Zeca Afonso: ‘Venham mais cinco’. Infelizmente, como é regra, não foi a vitória do FCP a marcar as primeiras páginas dos jornais desportivos, mas a derrota do Benfica. Jorge Jesus, que deu um título de campeão a um clube e dirigentes que pouco tinham feito para o merecer, já passou de bestial a besta e até pode nem chegar ao Natal. Jesualdo Ferreira está livre e o mercado tem destas coisas. Para os portistas custa ver o tratamento que lhes é dado nos jornais desportivos, mas quem anda neste mundo da comunicação social percebe. Infelizmente, percebe. Num País (Mundo?) em que os consumidores não querem comprar a verdade, mas uma cosmética ao agrado das suas cores clubísticas, políticas e sociais, poucos resistem à tentação de sacrificar a notícia e os critérios jornalísticos à dura realidade das vendas em banca. Os poucos que o fazem sabem que a tarefa é difícil, sobretudo, como acontece neste terra, se as regras do jogo estão falseadas.