José Ângelo Gonçalves de Paulos Uma palavrinha, para que as ideias não fiquem paralisadas. De gratidão. Para com um Homem que durante muitos anos, a fio, veio à Madeira fazer conferências e colóquios e que muito contribuiu para um pensamento livre e fresco, quer ao nível da Igreja, quer ao nível Politico.
Refiro-me a cursos de Cristologia que ele deu, numa das salas do Convento de Santa Clara, no qual participou muita gente ligada a movimentos da Igreja desde sacerdotes, religiosas e leigos. Falou-nos com muita autoridade sobre Deus, Cristo e Antropologia: hominização e humanização. Os seus livros eram peças importantes para o nosso curso. Recordo um: "Cântico Heróico do Homem". Foi através desse livro que escrevi ao autor e mantivemos uma relação de amizade muito forte, durante algum tempo. Curiosamente, o autor veio procurar-me e dialogamos durante horas. Interessante foi o intercâmbio entre autor e leitor.
Exactamente, numa altura que tanto precisava de aflorar os problemas inerentes à fé, dado que, nesse preciso momento, tinha sido expulso de um grupo de cristãos pós-JIC . Os tais "sepulcros caiados de branco".Mas eu, como "ovelha perdida", fui apanhado para o redil dessa grande Personalidade e ele quis procurar-me e falar comigo. Foi o Padre José dos Santos CALMEIRO MATIAS, recentemente falecido. Homem de grande capacidade de diálogo com o mundo ateu, agnóstico e crente. Todos, com ele, queriam fazer uma caminhada no sentido de uma maior humanização individual para uma emergência comunitária. Ele denunciava a lei do colectivismo da formiga e a do individualismo da cigarra. Isto é, tanto o comunismo como o capitalismo não eram promissores para uma nova sociedade que se estava a criar em Portugal. Isto logo a seguir ao "25 de Abril".
E, todavia, o Pe.Santos ou Calmeiro Matias como era conhecido, foi também interdito de dar conferências, em espaços da igreja local, por um bispo que também já faleceu, o qual via tudo, o que não fosse através do seu vesgo e raquítico olhar, inimigos da igreja (ou do PPD) por todo o lado.
E a igreja parou. Aqui na Madeira. Durante muito tempo. Lembro-me com saudade as conferências do jesuíta Evaristo de Vasconcelos sobre relações humanas na sua qualidade de eminente Psicólogo.
Mas, hoje, está igual ao tempo do citado bispo, cujo nome evito pronunciá-lo porque nunca gostei dele. Aqui como conferencistas vêm só os que são da estirpe de João Seabra, um reaccionário da pior espécie. Ou leigos ligados a partidos conservadores, de direita, claro. Mas voltando a Calmeiro Matias que me deu o privilégio de tratá-lo por tu, devo-lhe muito, apesar de, hoje, não estar inserido numa comunidade eclesial .Muito aprendi com ele, com o ex-padre Óscar Sousa e com outros que por cá passaram como um outro jesuíta de nomeada de nome Abranches. Para além, dos ex Padres do Pombal, a quem os leigos da Madeira nunca lhes prestaram homenagem e que foram escorraçados da igreja e da Região, para bem deles e para mal de nós, os que ficamos mergulhados neste obscurantismo politico-religioso.
Amigo Calmeiro Matias és Redentorista filho de São Afonso Ligório, irmão de um outro que, por cá passa, Henri Borsicoud e no Alto já te encontras com o maior teólogo da Moral, Bernard Harring, influente padre do II Concilio do Vaticano. Como estes também nem sempre foste compreendido, porque querias mudar o que não era a Igreja de Cristo.
Obrigado Meu Querido Amigo!