Este artigo de opinião tem por título uma música bem conhecida dos anos setenta do grupo Sueco, Abba. Pretendo tomar como referência apenas o título, já que a história dos Abba fala de uma situação sem futuro onde nada pode ser feito para melhorar: “Knowing Me, Knowing You, there’s nothing we can do”. Não partilho esta visão pessimista porque, se nos conhecermos melhor: carácter, natureza, identidade, experiências, saberes e competências, estaremos mais bem preparados para conhecer os outros, e com isso estabelecer uma relação mais vantajosa onde o refrão seja: “Knowing Me, Knowing You, there’s nothing we cannot do”. Em matéria de gestão cultural do território é obrigatório conhecermo-nos, saber quais as nossas competências e capacidades que podem diferenciar o produto cultural, fazendo com que se torne único e motivo de consumo. Conhecer o outro, é saber quem consome cultura, quais as faixas etárias, género, países de origem, tempo de estada, motivos da visita e gosto relativamente ao que a Ilha tem para oferecer. E é por isso que mais do que o discurso sobre a importância dos subsídios para a sobrevivência das companhias, preocupa-me saber qual a ideia de cultura e gosto dos agentes culturais que podem efectivamente contribuir para a qualificação da oferta cultural da Madeira e não apenas inscrever projectos em planos de actividade. Não considero que seja necessário aumentar a oferta cultural na Madeira. Penso que é mais importante qualificar o que temos e aumentar a apetência do público para o consumo cultural, através de educação e formação. Colocar a tónica apenas no aumento da oferta, i.e. produtos disponibilizados na sala de espectáculos, não resolve o problema porque não é sustentável. O público vai porque deseja consumir aquele produto ou apenas porque é o que existe? Por outro lado, não se pode pedir o que não se conhece. E também não vejo necessidade de fazer escolhas filosóficas entre património e criação contemporânea. Como nos lembra Roger Scruton “ A originalidade não é uma tentativa de chamar atenção de qualquer maneira, ou de chocar ou perturbar. As obras de arte mais originais podem ser uma aplicação genial de um vocabulário bem conhecido, tal como os últimos quartetos de Haydn, ou meditações confidenciais como os Sonetos de Rilke. O que as faz originais não é o seu desafio ao passado ou sua rude agressão às expectativas estabelecidas, mas, sim, o elemento surpresa com o qual elas investem as formas e o repertório de uma tradição.” SCRUTON, Roger. An Intelligent Person’s Guide to Modern Culture. South Bend, Indiana, St. Augustine’s Press, 2000, p. 45.
Natércia Xavier, Formadora