Os ciclos de crise trazem sempre algumas vantagens e oportunidades. No caso de Portugal, e da Madeira em concreto, para quem tem a possibilidade de ver e experimentar outras realidades por esse mundo fora, é fácil detectar que 'vivemos acima das nossas possibilidades'. Cada vez é mais verdade que quem não tem dinheiro não tem vícios... Sem nos deixarmos tentar pelos miserabilismos e exemplos isolados, podemos concluir que tropeçamos dia-a-dia em pequenos-grandes luxos, designadamente nessa infinita administração pública, sem que produzamos o suficiente para justificá-los. Algumas coisas chegam mesmo a ser supérfluas, para além de inúteis. Uma das vantagens da crise é trazer-nos de volta à terra. Outra coisa é obrigar quem trabalha e produz a 'pagar' por vícios alheios; outra ainda bem pior é eliminar direitos conquistados com suor e lágrimas. Acho asqueroso incluir nesse pacote 'direitos' conquistados com habilidades jurídico-constitucionais vertidas em estatutos e afins, para beneficiar meia dúzia, sob o pretexto da defesa da Autonomia. Poupem-nos! Vem tudo isto a propósito de mais uma semana finda a discutir o impacto real da crise que assola Portugal, do Norte às Ilhas. No que concerne à Madeira, acresce essa outra crise na Saúde pública, com os do costume a serem quem mais sofre. Como em tudo, também há vantagens. Por exemplo, se a Ordem dos Médicos não se tivesse incompatibilizado com a governação regional, acaso teríamos avaliações rigorosas aos serviços da Saúde, como as que foram prometidas durante a semana, em jeito de chantagem? Se não houvesse intenção de mexer com o 'status quo', teríamos de ficar eternamente a ver filas intermináveis de utentes à espera que o 'sr. doutor' se digne aparecer nas consultas, com atrasos vergonhosos? Aproveitemos o lado positivo das crises. Elas obrigam à discussão do que deve ser discutido. De outra forma, alguém veria o presidente do governo tão ruidosamente preocupado com as reformas, e outras coisas básicas que a União Europeia e solidária institui? VÂNIA FERNANDES, CANTORA MADEIRENSE A passagem pela Venezuela (hoje actua em Valencia) comprovou aquilo que já se sabia: um enorme talento, uma voz magistral. Vânia Fernandes merece que o mundo conheça todas as suas potencialidades artísticas. JUAN SOUSA, CASA DO POVO CURRAL DAS FREITAS É o rosto da instituição que organiza a Festa da Castanha, no Curral das Freitas, e que este ano teve uma adesão popular impressionante. Outros responsáveis 'meteram-se à frente', parecendo que o trabalho foi deles... GUILHERME SILVA, DEPUTADO DO PSD-MADEIRA O veterano deputado do PSD em Lisboa é perito a justificar o injustificável. Este ano, com a Madeira esvaziada de protagonismo na discussão e votação do Orçamento de Estado, faltou-lhe argumentos para tanto avanço e recuo. ROBERTO FERNANDES, COMISSÁRIO DA PSP MADEIRA A um alto responsável da PSP, com a exposição mediática que tem, exige-se que seja tão ou mais cumpridor das normas que os demais. Socorreu-se de todos os artifícios para adiar um julgamento sobre um eventual favorecimento familiar. RUI CAETANO, DIRECTOR ESCOLA GONÇALVES ZARCO Teve a coragem de passar das palavras aos actos, substituindo a suspensão dos alunos com casos de indisciplina pelo acompanhamento e prestação de trabalhos a favor de determinadas instituições. Mandar para casa é que não.

Agostinho Silva, Subdirector