É certo que a crise financeira que o país vive é um assunto mais que tratado nos media… As pessoas falam da crise, as pessoas sentem a crise… ou pelo menos algumas, e lá vão passando os dias a pensar na crise e no quão coitadas são por estarem num país que está a viver uma crise… Crise, Crise, Crise… Tanta crise! Na minha opinião, a maior crise que Portugal enfrenta não é, de todo, uma crise financeira, mas sim uma crise social. Sim é verdade, ou pelo menos penso que sim, que o nosso Orçamento de Estado é mesmo muito mau, que os cortes em organismos públicos previsto na proposta do Orçamento incluem a extinção de 9 unidades já extintas e também é verdade, de acordo com um artigo que li num jornal português de referência nestas matérias, que Manuela Ferreira Leite chamou o orçamento de vigarista e que quem o fez devia estar preso. Só que analisemos, também, sob outras vertentes o nosso país. A criminalidade, por exemplo, verificou-se há alguns dias o assalto a uma agência de uma instituição bancária no Funchal, um indivíduo que após ter cometido furtos ameaça suicidar-se também na capital Madeirense ou até mesmo a agressão por parte de um conjunto de larápios a uma criança quando estavam a assaltar uma residência, igualmente no Funchal… E isto na Madeira, imaginemos em Portugal… E perante estes casos, a mentalidade e o pensamento das pessoas continua a se focar no OE, orçamento este que acredito que muitos nem o percebem, e a se focar na crise… a maldita crise… Ainda à duas semanas fui a uma conferência na Universidade da Madeira, intitulada de Finanças Pessoais – organizada pela AAUMa, e os nossos oradores convidados foram o Dr. Rui Coelho e o Dr. Vitor Calado, ambos com um currículo invejável mas para ser sincero e, sem recorrendo a notas tiradas durante a conferência, o que captei da intervenção de ambos os oradores, foi o Dr. Vitor Calado ter dito que a culpa das coisas estarem como estão no nosso país, é de todos nós, e eu não poderia estar mais de acordo. Os portugueses sempre foram um povo cabisbaixo, pessimista… Na prática somos como umas ovelhas, seguimos o rebanho… deixamo-nos ir pelo mesmo caminho que os outros, que por sua vez também são pessimistas… E continuamos neste ciclo vicioso, onde ninguém de novo se destaca, e desta forma as coisas continuam como estão, más… não evoluem. A Microsoft, que acho que dispensa qualquer tipo de apresentações, dispõe aos seus funcionários um determinado intervalo de tempo, durante o horário de expediente, para que estes possam desenvolver o seu lado criativo e desta forma ter ideias para produtos ou serviços inovadores, empreendedores para a Empresa. Bem, a Microsoft é das empresas com maior sucesso e mais lucrativa de todos os tempos… Isto deve de querer dizer alguma coisa suponho… A meu ver, é isto que falta aos portugueses e às empresas portuguesas. Aos primeiros falta o incentivo, digamos assim, para serem melhores no que fazem, para serem inovadores e empreendedores. Às empresas, por sua vez, falta o saber fazer com que os seus trabalhadores sintam-se felizes e realizados, porque com isto, a produtividade da empresa aumenta e consequentemente a quantidade bens / serviços produzidos de Portugal aumenta, ou seja, o nosso PIB aumenta.
Sílvio Alves, Estudante da UMa