Cresce o clamor dos pobres na hora de tantos desesperos. O grito dos aflitos depara-se com os muros da indiferença institucionalizada. O senhor governo recorre à mentira: "Não existem verbas!". O clamor dos pobres exige que se demonstre como é possível criar já um programa de mobilização para o socorro social. Propomos 5 medidas para garantir a receita base para o programa de emergência social: 1- Tributação extra do património imobiliário de luxo, onerando com uma taxa extraordinária a aquisição e a detenção de imóveis e propriedades de valor superior a 1 milhão de euros; 2- Agravada tributação sobre a aquisição ou posse de bens de luxo (veículos de custo superior a 100 mil euros, iates de recreio…); 3- Aplicação de uma sobretaxa aos grupos económicos com lucros superiores a 30 milhões de euros; 4- Eliminação dos benefícios fiscais (por exemplo, de IMI e de imposto de selo), aplicáveis a operações de reestruturação empresarial (fusões e cisões empresariais); 5- Arrecadação de verbas do offshore da Madeira provenientes de compensações financeiras especiais a favor da RAM, a impor às instituições de crédito licenciadas no quadro do Centro Internacional de Negócios da Madeira. O clamor do povo num tempo em que a governação intensifica as políticas de injustiça social requer uma ruptura política. Enquanto não chega essa hora da necessária ruptura, no mínimo, é urgente vencer a indiferença dos satisfeitos. A dificuldade social de tantos dos nossos concidadãos não pode ser abafada pela fartura de poucos.
Edgar Silva, Líder do PCP na Madeira