Henriqueta Reynolds Assistimos com preocupação, a um momento conturbado na saúde regional. Os Médicos e os Doentes desejam a mesma coisa: Medicina de Qualidade! A publicação de opiniões sobre os Médicos e o Organismo que os representa, escritas por indivíduos pouco qualificados para o fazer, é ofensiva, ignora propositadamente alguns conceitos, presta um mau serviço à comunidade e merece um comentário. Os médicos são favoráveis a que os utentes beneficiem de medicação eficaz e de custo comportável. Não sendo alheios às dificuldades económicas das famílias, sempre prescreveram o medicamento com melhor relação custo/benefício. É falso que os médicos sejam influenciados pelos apoios da indústria farmacêutica na formação que obtêm em congressos ou reuniões científicas para prescrever determinada marca. Os congressos são, locais de actualização e, são os utentes que beneficiam, não só por critérios de terapêutica, mas também de diagnóstico. Os congressos não são passeio, são, bem ao contrário, instrumentos de actualização do conhecimento clínico, que, a ser realizada de outro modo, teria que ser provavelmente custeada pelo Estado. A não actualização representaria um retrocesso no aperfeiçoamento permanente dos médicos certamente não pretendido nem pelos utentes nem detractores dos médicos. O Médico é o ÚNICO profissional de saúde habilitado para o diagnóstico e tratamento das doenças. Apenas a ele é atribuída total responsabilidade pelo acto terapêutico. A sua escolha é sempre a que considera ser a melhor opção, independentemente de interesses puramente economicistas. Os "genéricos" em Portugal, continuam efectivamente a ser medicamentos de marca pois têm invariavelmente a chancela de um laboratório específico. Apenas beneficiam de regras e comparticipações diferentes. Os ensaios de bioequivalência dos genéricos são efectuados em voluntários sãos e em monoterapia, condições raramente existentes nos nossos doentes. Desconhece-se, até à data, qualquer actividade em Portugal de uma ENTIDADE LABORATORIAL INDEPENDENTE que garanta, com perfeita isenção, a TOTAL correspondência de qualidade e efeito terapêutico entre os vários medicamentos, alegadamente idênticos, de diferentes fabricantes. O Genérico, mais económico e de mais fácil acesso aos doentes com menores recursos pode, por lei, conter entre 80 a 120 % da molécula original. Os resultados podem ser nefastos, quer pelo excesso de medicamento em circulação, com o inevitável aparecimento de efeitos adversos, (sobretudo em fármacos de estreita janela terapêutica) ou, pelo contrário, efeitos sub-terapêuticos, com a consequente necessidade de ajuste de dose e ingestão de mais fármaco. Idealmente, um sistema de verdadeiros medicamentos genéricos, quotizados entre os fabricantes, com controlo de qualidade independente, com distribuição unitária avulsa e sem chancelas visíveis de laboratórios (como existe em muitos países) seria muito mais transparente, eficiente e económico. A Ordem dos Médicos, através dos Colégios da Especialidade, é o organismo que confirma e garante a idoneidade formativa dos serviços, quer através do preenchimento dos formulários existentes para o efeito, quer através de avaliações periódicas. Esta é uma prática comum a nível Nacional. Se foram criados entraves à vinda dos colégios, é legítimo que a Ordem não possa confirmar essa capacidade formativa. Uma instituição sem capacidade formativa é uma instituição sem futuro e os seus profissionais também se sentem desprestigiados. Há que repor a verdade e dar a conhecer as razões que motivam as posições assumidas pelos médicos e pela Instituição a quem foram confiados poderes, que exerce em representação do Estado. A Ordem dos Médicos tem que garantir que a Medicina é praticada com profissionalismo, com conhecimento médico e em plena liberdade, pelos Médicos, de modo a que os utentes sejam atendidos com eficiência e eficácia com o melhor resultado para o seu estado de saúde.