A austeridade e as medidas de forte contenção orçamental atravessam horizontalmente todos os países da Europa, o que nos coloca perante um dilema óbvio: quando os governos da União estão a cortar na despesa e a cobrar mais impostos, o que se pode esperar do orçamento comunitário? A Comissão Europeia divulgou recentemente uma comunicação subordinada ao tema da reforma do orçamento comunitário onde se podem encontrar sinais tão elucidativos como preocupantes. É um dado adquirido que a revisão terá em conta não só o impacto da crise económica e financeira mas também os desafios que se colocam no longo prazo, como o progressivo envelhecimento da população e a baixa natalidade, as alterações climáticas ou a crescente pressão sobre os recursos naturais. Não se trata de gastar mais ou menos, mas de encontrar formas que permitam gastar de forma mais inteligente. Mais inquietante é a forma como se começa a esboçar a futura política de coesão, que alguns entendem deve focar nas grandes prioridades comuns a toda a União em vez de se concentrar apenas na redução de disparidades entre regiões pobres e ricas. Nós estamos a meio, entre umas e outras. Mas sejamos realistas: não nos podemos dar ao luxo de prescindir de fundos comunitários. Nenhum Estado-membro pode, quanto mais nós. Bem pelo contrário. Daí que esta discussão interesse a todos, mas a nós em particular. Contudo, visto de fora, parece que aqui alguns ainda vivem como uma espécie de Alice no país das maravilhas. Acordem.
Nuno Teixeira, Eurodeputado do PSD