Juvenal Pereira Embora pareça um paradoxo este País tem uma característica muito própria que o distingue (pela pior das razões) dos velhos países do continente europeu. O SEU POVO SÓ VIVE BEM QUANDO O GOVERNO GOVERNA MAL! Sempre que temos um governo irresponsável, incompetente, esbanjador, descontrolado, distribuindo o que não pode, dando o que não tem, comprando e fazendo o que não deve, aparentando o que não é, falando do que não sabe, tolerando o intolerável, admitindo o inadmissível e tudo o mais que não vale a pena aqui pormenorizar, o povo está bem. Sente-se desgovernado, sem regras, nem justiça, exige o que tem e o que não tem direito, faz o que quer e bem lhe apetece, endivida-se, não cumpre com os seus compromissos, tem uma vida acima das suas posses, enfim, limita-se a seguir os tristes exemplos que vêm de cima e vive numa "boa" como se diz em gíria popular. Só que, como não há mal que sempre dure, nem bem que sempre ature, lá de tempos a tempos, é obrigado a cair no real e volta de rico aparente a pobre consumado. Exactamente o que nos aguarda nos próximos tempos e só não aconteceu mais cedo por estarmos ligados a uma Europa generosa que lá vai nos deitando a mão - como outros já o fizeram - adiando o nosso estado habitual de tanga. Como os chamados" estados de graça," obviamente, não são eternos, nenhum País, nenhuma família ou cidadão em particular que vive de empréstimos ou, digamos, da caridade pública, se bem que viva bem em alguns momentos, nunca pode pensar que está a construir um futuro digno e muito menos próspero. Portugal - através, salvo uma outra excepção, de incompetentes e oportunistas que o tem governado - esbanjou (quase) tudo o que lhe deram, não aproveitou as magnificas condições que teve para se desenvolver, não semeou para mais tarde colher, de modo que o futuro que nos aguarda não é mais do que o corolário lógico do passado (recente) e presente fantasiosos que tivemos e temos. Para agravar tudo isto nunca se pede responsabilidades a ninguém. A culpa morre solteira ou na melhor das hipóteses é atribuída a terceiros. Às crises internacionais, aos Verões escaldantes ou Invernos intensos e até aos incêndios como se estes fossem obra da natureza. As leis que não se cumprem, o regabofe em que se vive, as corrupções que não se combatem, as discriminações sociais que se permitem, o desemprego que se avoluma, o mau estado da saúde e educação que se ignora e tudo o mais que faz de Portugal um Pais a saque e o leva às portas da miséria e do descrédito até parecem fazer parte da Constituição da Republica. Terá sido este Portugal de hoje Ainda estão vivos muitos dos que têm a obrigação de nos responder.