“Os nossos empregados são o activo mais importante desta empresa” é uma frase que não há empresário (nacional ou internacional), gestor ou “guru” da gestão que não a profira pelo menos uma vez por ano, quanto mais não seja no jantar de Natal ou no dia da Empresa.
No entanto, esta “moderna e revolucionária” ideia sobre a importância decisiva das pessoas em relação à qual têm sido apresentadas profundas teses de doutoramento, organizados congressos com dezenas de peritos e escritas “resmas” de livros, podia ser ouvida a qualquer pequeno comerciante Português desde o inicio do século passado. De facto, qualquer dono de uma pequena loja na mais recôndita das nossas aldeias sabia há muito que o segredo do sucesso do seu negócio passava por tratar da melhor forma (de acordo com as suas características e necessidades) cada um dos seus clientes (outra ideia “inovadora” de alguns gurus) e que isto só era possível com bons colaboradores. À sua maneira, simples como é a sabedoria, costumavam dizer:
“São bons empregados que fazem uma casa”
No entanto, apesar dos argumentos dos grandes gurus e dos anos de evidência deste princípio de gestão, continuam a existir, em pequenas e grandes empresas, inúmeros casos em que esta regra não passa das palavras.
Há anos assisti a uma pequena “estória” a que não resisto contar.
Passou-se na década de noventa, numa linda vila perto de Lisboa, onde um Empresário de restauração experiente e evoluído (por sinal, de nacionalidade Espanhola) decidiu investir num restaurante. O local escolhido era, a todos os títulos, excelente. Ficava perto de uma sofisticada zona comercial. Tinha bons acessos e fácil estacionamento. O Edifício adquirido, embora bastante caro, tinha todas as condições para se fazer um restaurante de sucesso. A Empresa investiu fortemente em obras de adaptação do espaço, em mobiliário e em maquinaria de cozinha. Enfim, estavam criadas todas as condições para um grande sucesso.
Poucos dias depois da inauguração, quando entrei no “badaladíssimo” restaurante não pude deixar de abrir a boca de espanto. O gerente era um jovem sem qualquer experiência. Os empregados da sala eram pessoas residentes na zona, até há poucos dias desempregadas e sem perfil e qualificação para a função. Os da cozinha, como pude verificar pouco depois, também não deveriam ser muito mais competentes. Enfim, um recrutamento feito pelo estafado critério do “mais barato que for possível contratar”.
Passados menos de seis meses e tal como eu rapidamente prognosticara, o restaurante estava falido.
O que levará pequenos e grandes Empresários e Gestores, que até reconhecem por palavras a importância crítica das pessoas em qualquer negócio, a estar disponíveis para gastar, sem um momento de hesitação, milhares de euros em instalações e equipamentos e depois a discutir ao cêntimo qualquer verba a despender com Pessoas? Será que é porque consideram os equipamentos como um investimento (que dará um retorno) e as pessoas como um custo obrigatório, do qual não retiram nenhum benefício?
Nada mais errado! Nos nossos dias, o dinheiro está disponível (para isso existem as empresas de capital de risco), as instalações e equipamentos podem ser facilmente comprados ou alugados, os processos podem ser adquiridos ou copiados. Mas todos sabemos que isso de nada servirá se não tivermos uma equipa competente, motivada e focalizada nos objectivos desse projecto.
São inúmeros os estudos que provam que, em média, mais de oitenta por cento do valor de uma empresa está ligado a factores intangíveis, a maioria deles relacionados com o capital Humano, como sejam, o conhecimento, a capacidade de inovação, a cultura organizacional, etc. Factores tangíveis, como instalações, equipamento, stocks, etc há muito que deixaram de ser determinantes para o sucesso de qualquer projecto empresarial.
Encontrar financiamento, instalações e equipamentos é fácil. Difícil é atrair, motivar e reter as pessoas certas para fazer uma equipa credível e de sucesso.
José Bancaleiro, Managing partner, Stanton Chase International - Executive Search Consultants