Fazendo uma análise superficial ao estado do basquetebol regional… poder-se-á cometer o erro de considerar que o "basquetebol regional passa por momentos difíceis". A cessação competitiva de vários escalões de formação, num determinado clube de referência do basquetebol, não é sinónima de desaparecimento da modalidade. Existem outros indicadores quantitativos e qualitativos que, após uma observação mais profunda da situação, nos conduzem a um desenvolvimento sustentável do basquetebol regional que poderá ser observado a médio/longo prazo. Basta analisar os dados dos últimos 4/5 anos. Portanto, passamos dos 10 para os 21 clubes filiados na ABM, o nº de praticantes ascendeu dos 784 para os 2090, o nº de concelhos a praticar basquetebol aumentou dos 4 para a totalidade dos 11 concelhos e dilatamos o nº de juízes regionais e nacionais. Temos mais um árbitro nacional e, para além dos 25 juízes regionais existentes, recebemos inscrições de 40 candidatos para o curso de juízes estagiários que se inicia hoje. Mais, o regional sénior que tinha desaparecido… tem actualmente 7 clubes a competirem. Ao nível do Mini, cuja competição era quase inexistente, presentemente esta mesma competição é bastante equilibrada e bem disputada nos escalões de Mini 10 e Mini 12. Resumindo, ao nível da demografia federada, passamos da 7ª para a 2ª maior modalidade ao nível regional. Julgo poder concluir que os números falam por si. Infelizmente, todo o processo de construção leva o seu tempo. Mas, não tenhamos ilusões, todos sabemos que para destruir algo de bom… fazemo-lo num ápice mas, para construir… levámos, pelo menos, 10 a 12 anos. Por exemplo, uma criança que inicia a modalidade com 6 a 8 anos precisa de, pelo menos, 12 anos para chegar a idade de sénior. Portanto, vamos continuar a inovar, ter alguma paciência e muita persistência que os frutos hão-de surgir. Para além do CAB que está a realizar um trabalho extraordinário na modalidade, sendo a nossa maior referência, temos outros clubes a surgir com grande força, que é o caso da CDE Francisco Franco, AD Galomar, CCD Horários do Funchal, ACD São João, entre outros. Embora com a colaboração da ABM, este crescimentos sustentável da modalidade é baseado essencialmente no trabalho desenvolvido pelos seus clubes filiados. Agora questiono: estará mesmo o basquetebol regional a passar por momentos difíceis? Aguardemos para ver.

Sandra Rebolo, Presidente da ABM