As recentes notícias de grande dificuldade orçamental e de tesouraria do país, em todas as áreas, é vista, em minha opinião, como uma grande oportunidade para equilibrar e ajustar, a forma como o erário público tem e deve ser utilizado. Os orçamentos públicos terão, no futuro, de ser mais rigorosos. Os apoios concedidos melhor definidos e com critérios bem definidos. Por muito bom que seja um projecto, actividade ou ideia a desenvolver, teremos sempre de analisar bem o retorno de investimento para quem o apoia. As infra-estruturas públicas, sobretudo as que permitem uma utilização por parte do seu público-alvo, terão de ter um valor de utilização. Os apoios à cultura e ao desporto não precisam ser reduzidos. Muito se fala em investimento reprodutivo. Este não deve ser visto apenas, e só, como as obras em infra-estruturas públicas ou outras obras. O investimento reprodutivo também passa pelo apoio à cultura e ao desporto, desde que este possa incentivar e dinamizar o tecido económico e empresarial da Região. Se um determinado evento ou modalidade, duplica ou triplica, por exemplo, o montante de apoio que lhe é atribuído, através de gastos em hotelaria, restauração, comércio local ou outros, então torna-se num evento para o qual deve ser canalizado apoio financeiro, pois directa ou indirectamente, torna-se numa excelente forma de apoiar o desporto e ao mesmo tempo incentivar a economia local e seus empresários. O mesmo se passa com eventos culturais. Educa-se o povo, criam-se hábitos de frequência e sensibiliza-se para o seu desenvolvimento, educamos para o futuro, permite-se o crescimento competitivo através de modalidades desportivas e apoia-se a economia local. Esta deve ser, em minha opinião, a nova preocupação de uma cultura desportiva moderna e eficiente. A Região tem uma natureza fantástica que deve ser explorada turisticamente, com apoios a eventos e à vinda de grupos estrangeiros. Num dia, conseguem facilmente ter contacto com o mar e com a serra, com o Sol e com a chuva. Potenciar esta situação deverá estar na prioridade dos apoios concedidos, sobretudo se conseguirmos gerar receitas e ter o retorno do investimento assegurado.

Pedro Calado, Vereador da CM do Funchal