Seria mais lógico, enquanto economista, escrever relativamente à aprovação ou não do Orçamento de Estado de 2011 e despejar um conjunto de dados técnicos e justificações feitas à medida, em vez de, colocar este conjunto de considerações. Mas creio, que parece mais que evidente para todos os portugueses, a necessidade de Portugal ter um orçamento aprovado. Não digo que seja o apresentado pelo governo, ou outro, contemplando alterações negociadas pela oposição. A sua aprovação não é uma questão técnica, mas sim, uma necessidade de credibilidade. Tem de existir uma demonstração aos mercados financeiros internacionais, que, pelo menos nas questões essenciais e vitais para o país, conseguimos internamente entendermos, e com isso, darmos uma boa imagem para o exterior que estamos a tratar dos problemas. Mas estaremos? O grave da crise económica, não é de agora, (como também o era no caso Madoff), e as culpas, serão politicamente repartidas pelas diversas forças politicas governativas anteriores. Importa reconhecer que o modelo económico desenvolvido nos últimos 20 -30 anos, foram sempre assentes em lógicas de curto prazo, ajustadas por cada um, ao seu ciclo político e ao seu clientelismo próprio. Há uma “economia própria” inerente a cada ciclo que tem de ser eliminada. O caso Madoff baseava-se numa ilegalidade, conhecida por “esquema Ponzi”, e que tem por base a remuneração dos primeiros participantes pelos últimos a entrarem em jogo. Ninguém sabia exactamente o valor da fraude causada, Porque será que actualmente também não sabemos o real estado do país. Há dificuldade em saber a realidade económica do país, pois ninguém nos informa com exactidão e clareza, qual o real valor do défice? Qual é o endividamento público? Quais as responsabilidades futuras? Etc. Os valores, uma vez mais, dependerão da força política emitente desses dados. As certezas que existem, e que ninguém as nega, é que os tempos vindores serão difíceis, ou melhor, serão tempos de recessão e de muito desemprego. Fica assim claro para todos os portugueses, a necessidade urgente de “mudarmos de vida “. O mundo mudou, pelo que, será necessário mudar hábitos de consumo e de trabalho. Simultaneamente há que mudar a forma de fazer política, exigindo também uma maior responsabilização dos mesmos, a necessidade de acabar com “desperdícios” e aumentando a produtividade dos portugueses. Tudo isto, tem de ser conseguido através de uma diferente liderança, bem formada e preparada para encontrar novas soluções para os novos problemas que existem hoje (novos problemas exigem novas abordagens e novas soluções). Sacrifícios e mais sacrifícios serão as palavras de ordem que iremos ouvir nos tempos mais próximos. No entanto, seria importante que estes sacrifícios não “ fossem em vão”, e que sirvam para mudar estruturalmente o nosso país. A necessidade e a responsabilidade de construir um Portugal melhor, é certamente de todos, mas caberá aos Políticos o papel fulcral, na liderança e no exemplo da boa gestão dos dinheiros públicos. São necessárias muitas mudanças estruturais que permita ter um Estado mais dinâmico, mais leve, mais eficiente e menos gastador. Há que ter um estado ajustado à dimensão do País e da sua máquina produtiva. O estado não pode ser um peso para a economia produtiva.

Ivo Correia, Economista