A Madeira está bloqueada pela governação de um partido que conduz os destinos da Região há mais de três décadas. Independentemente dos méritos e dos defeitos dessa governação, e da avaliação que dela fazem os eleitores, é um facto que estamos amarrados a essa geração que ocupou o poder há 30 anos e hoje, ainda, se mantém e se arrasta nos postos de decisão política. A começar pelo líder do PSD e presidente do Governo. E se é assim no topo da pirâmide, o exemplo repete-se noutros cargos da governação, do Parlamento, da administração pública, dos institutos e do sector empresarial. Alguns destes dirigentes estão aposentados e continuam nos mesmos cargos ou transitam para outros postos-chave da política e da economia. É evidente que a exigência e os conhecimentos dessas pessoas são importantes para a nossa terra. Mas há sempre um momento em que a renovação é essencial para trazer novas ideias, novos comportamentos e mudanças às organizações. Ora não é isso que tem acontecido na Madeira. Quantos jovens com talento e criatividade, ficaram tapados nas suas carreiras e nas suas ambições, por causa de um conjunto de pessoas que teimam em perpetuar-se em cargos de decisão? Não é possível quantificar o que a Madeira perdeu pelo facto de haver um GAP geracional na nossa Região. O que se sabe é que este hiato matou muitos projectos, limitou outros e retirou perspectivas a milhares de jovens de várias gerações de fazerem carreira na sua terra. É também, por isto que muitos licenciados madeirenses acabam por fixar-se no continente ou procuram no estrangeiro uma oportunidade de afirmação profissional. Na política, tal como na vida, às vezes é difícil substituir dirigentes e pessoas, mas ninguém é insubstituível por mais importante que possa ou aparente ser. Precisamos de mobilizar as novas gerações para a tarefa inadiável de reinventar o Projecto da Madeira do Século XXI. O Mundo mudou. A Madeira não pode ficar parada.

José Manuel Rodrigues, Líder do CDS-PP/Madeira